terça-feira, 1 de agosto de 2017

tempo tempo tempo


tempo tempo tempo

o tempo não tem pressa
são dois ponteiros de um relógio
que morde nervos e músculos
diante dos olhos Dela
:
Ela o tempo que não passa

obs.: na foto: Marcela Sanse - feliz por re-encontrá-la uns 10 anos depois que a conheci ainda criança em Bento Gonçalves-RS




quero voar
Ícaro sem planos de vôo
e nada de panos




seguindo os passos de Anchieta
:
Guarapari Antropofágica

come. come meus pés descalços
e os vestígios de Anchieta
por onde estiver ainda

come. come todos os passos
e vomita os restos na Ampulheta
porque o tempo tarda mas não finda

Artur Gomes
foto.poesia




quarta-feira, 29 de março de 2017

jura secreta 29



jura secreta 29

a luz branca de outono
deságua em mim
como mar de outrora
águas de outras eras
em ondas de sal
pra me benzer  aurora boreal
nos olhos de quem me vê

Artur Gomes




terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

foto.poesia


Metades

metade do corpo oculta
sob os tecidos que te esconde
a outra metade à flor da pele
pluma em pelos
pétala branca montes claros
lente pulsando sobre um corpo
dentro da luz amanhecendo 
do outro lado do espelho
meu olho gótico TVendo

Artur Gomes
sobre a foto de Mariana Mocaiber

foto.poesia


Metades

metade do corpo oculta
sob os tecidos que te esconde
a outra metade à flor da pele
pluma em pelos
pétala branca montes claros
lente pulsando sobre um corpo
dentro da luz amanhecendo 
do outro lado do espelho
meu olho gótico TVendo

Artur Gomes
sobre a foto de Mariana Mocaiber

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Recital de Poesia - 16/12 - 19:30h - na ACL


Com Os Dentes  Cravados na m
Memória

Há algum tempo venho escrevendo alguns textos com este  título para contar um pouco da minha trajetória de andanças poéticas p0r  este país afora. Não sei se um dia isto vai se transforma em discurso memorialista, mas pelo menos vai servir para quem lê, entender que poesia se produz com vivências.

Na ACL  Com Os Dentes Cravados na Memória, será um recital de poesia, com um passeio dos anos 80 para cá, com a poesia presente nos livros: Suor & Cio, Couro Cru & Carne Viva, CarNAvalha Gumes, BraziLírica Pereira: A Traição das Metáforas e SagaraNAgens Fulinaímicas. 

A idéia de transformar esse passeio poético em recital surge em setembro de 2016 quando em Bento Gonçalves-RS, na abertura do XXIV Congresso Brasileiro de Poesia é anunciado que serei um dos  poetas homenageados em 2017.

Na ACL aceitando o convite do meu grande amigo Hélio de Freitas Coelho, pretendo além de falar meus poemas desse  período, prestar também a aminha homenagem ao meu grande amigo e poeta que partiu para outras esferas do planeta: Ferreira Gullar.

Como há tempos não tenho um encontro com o público de Campos, pretendo também bater um papo, sobre arte e poesia, linguagem,  dentro do que tenho produzido em minhas andanças, onde se inclui também o Audiovisual. 





tecidos sobre a terra

Terra,
antes que alguém morra
escrevo prevendo a morte
arriscando a vida
antes que seja tarde
e que a língua
da minha boca
não cubra mais tua ferida

entre/aberto
em teus ofícios
é que meu peito de poeta
sangra ao corte das navalhas
e minha veia mais aberta
é mais um rio que se espalha

amada de muitos sonhos
e pouco sexo
deposito a minha boca no teu cio
e uma semente fértil
nos teus seios como um rio

o que me dói é ter-te
devorada por estranhos olhos
e deter impulsos por fidelidade

ó terra incestuosa
de prazer e gestos
não me prendo ao laço
dos teus comandantes
só me enterro à fundo
nos teus vagabundos
com um prazer de fera
e um punhal de amante

minha terra
é de senzalas tantas
enterra em ti
milhões de outras esperanças
soterra em teus grilhões
a voz que tenta – avança
plantada em ti
como canavial que a foice corta
mas cravado em ti
me ponho a luta
mesmo sabendo – o vão
estreito em cada porta

usina
mói a cana
o caldo e o bagaço
usina
mói o braço
a carne o osso
usina
mói o sangue
a fruta e o caroço
tritura suga torce
dos pés até o pescoço
e do alto da casa grande
os donos do engenho controlam
: o saldo e o lucro



Artur Gomes
FULINAÍMA MultiProjetos

https://www.facebook.com/studiofulinaima/videos/1236814616413456/?hc_ref=PAGES_TIMELINE


do livro: Suor & Cio 1985

Recital de Poesia - 16/12 - 19:30h - na ACL


Com Os Dentes  Cravados na m
Memória

Há algum tempo venho escrevendo alguns textos com este  título para contar um pouco da minha trajetória de andanças poéticas p0r  este país afora. Não sei se um dia isto vai se transforma em discurso memorialista, mas pelo menos vai servir para quem lê, entender que poesia se produz com vivências.

Na ACL  Com Os Dentes Cravados na Memória, será um recital de poesia, com um passeio dos anos 80 para cá, com a poesia presente nos livros: Suor & Cio, Couro Cru & Carne Viva, CarNAvalha Gumes, BraziLírica Pereira: A Traição das Metáforas e SagaraNAgens Fulinaímicas. 

A idéia de transformar esse passeio poético em recital surge em setembro de 2016 quando em Bento Gonçalves-RS, na abertura do XXIV Congresso Brasileiro de Poesia é anunciado que serei um dos  poetas homenageados em 2017.

Na ACL aceitando o convite do meu grande amigo Hélio de Freitas Coelho, pretendo além de falar meus poemas desse  período, prestar também a aminha homenagem ao meu grande amigo e poeta que partiu para outras esferas do planeta: Ferreira Gullar.

Como há tempos não tenho um encontro com o público de Campos, pretendo também bater um papo, sobre arte e poesia, linguagem,  dentro do que tenho produzido em minhas andanças, onde se inclui também o Audiovisual. 





tecidos sobre a terra

Terra,
antes que alguém morra
escrevo prevendo a morte
arriscando a vida
antes que seja tarde
e que a língua
da minha boca
não cubra mais tua ferida

entre/aberto
em teus ofícios
é que meu peito de poeta
sangra ao corte das navalhas
e minha veia mais aberta
é mais um rio que se espalha

amada de muitos sonhos
e pouco sexo
deposito a minha boca no teu cio
e uma semente fértil
nos teus seios como um rio

o que me dói é ter-te
devorada por estranhos olhos
e deter impulsos por fidelidade

ó terra incestuosa
de prazer e gestos
não me prendo ao laço
dos teus comandantes
só me enterro à fundo
nos teus vagabundos
com um prazer de fera
e um punhal de amante

minha terra
é de senzalas tantas
enterra em ti
milhões de outras esperanças
soterra em teus grilhões
a voz que tenta – avança
plantada em ti
como canavial que a foice corta
mas cravado em ti
me ponho a luta
mesmo sabendo – o vão
estreito em cada porta

usina
mói a cana
o caldo e o bagaço
usina
mói o braço
a carne o osso
usina
mói o sangue
a fruta e o caroço
tritura suga torce
dos pés até o pescoço
e do alto da casa grande
os donos do engenho controlam
: o saldo e o lucro



Artur Gomes
FULINAÍMA MultiProjetos

https://www.facebook.com/studiofulinaima/videos/1236814616413456/?hc_ref=PAGES_TIMELINE


do livro: Suor & Cio 1985

terça-feira, 1 de novembro de 2016

poema antibíblico


Poema AntiBíblico

De Santa Cruz de La Sierra
passando  por PortoViejo
direto de Cavajarro
por ser de carne osso não de barro
te mando um beijo ó Amada!
pelo quanto que encerra
nosso amor BolivariAndo
só amando o que é nosso
o país que sobrevive em nossos corpos 
a semente que plantamos - nosso chão

é preciso não temer o canalha
nem se amedrontar com os hipócritas
se vivemos independentes
armados de palavra até os dentes
pra combater a podridão. 

Artur Gomes Gumes

domingo, 30 de outubro de 2016

poesia proibida



Jura secreta 54

moro no teu mato dentro
não gosto de estar por fora
tudo que me pintar eu invento
como um beijo no teu corpo agora

desejo-te pelo menos enquanto resta
partícula mínima micro solar floresta 
sendo animal da Mata Atlântica
quântico amor ou metafísica
tudo que em mim não há respostas

metáfora D´alkimim fugaz Brazílica
beijo-te a carne que te cobre os ossos
pele por pele sobre as tuas costas

os  bichos amam em comunhão na mata
como se fosse aquela hora exata
em que despes de mim o ser humano
e do corpo rasgamos todo pano
e como um deus pagão pensamos sexo




Jura secreta 18

te beijo vestida de nua
somente a lua te espelha
nesta lagoa vermelha Porto Alegre
cais do porto barcos navios no teu corpo
os peixes brincam no teu cio
nus - teus seios - minhas mãos
a rendas finas que vestias 
sobre o teu corpo ficção

todos os laços dos tecidos
aquela cor do teu vestido
a pura pele agora é roupa
o sabor da rua língua
o batom da tua boca
tudo antes só promessa
agora hóstia entre meus dentes

e para espanto dos decentes
te levo ao ato consagrado
se te despir for só pecado
é só pecar que me interessa

Artur Gomes