gaivotas perseguem peixes quando estão com fome a musa da minha janela depois da prova de física desfolha Charles Baudelaire
tem um jardim imaginário no quintal desta metáfora e um mar de algaravias dentro dos olhos dela
percebo a flor da infância bem-me-quer em teu cabelos peixes que não são nuvens girassóis fosse miragens na veia algas marítimas e uma fração logarítima ainda por resolver arturgomes http://pelegrafia.blogspot.com/
Palavras Diversas
a palavra múltipla plural e solta pelos céus da boca sarcástica cínica amorosa de drummond a guimarães rosa de ferreira gullar a torquato neto a pala/lavra do leminski como um arquiteto que constrói a própria casa com o furor do fogo em brasa com cimento tijolo argamassa e que a massa compreenda que a massa que transforma o pão é a mesma que alimenta a massa que o homem arquiteta e a praça é o lugar pro seu delírio a lira que mora dentro do poeta
jura secreta 121
ela me mantém à distância dos meus braços que mesmo esticados não conseguem alcançá-la no quarto do hotel eu tenho a fala e digo desejo o espaço do teu ventre para proclamar os meus instintos não minto eu sinto muito que pena se ainda não conseque provar dos meus pecados e se esconde entre hóstia e promessas eu tenho pressa quero engravidar-te de saliva na língua que escorre pelos anos abrindo fenda em tuas costas
XVIII CONGRESSO BRASILEIRO
DE POESIA HOMENAGEIA
FERREIRA GULLAR
Pela primeira vez nos últimos quinze anos
o Congresso Brasileiro de Poesia
não é realizado na primeira semana
de outubro e sim, no final do mês.
A edição deste ano acontece de 25 a 29,
na cidade de Bento Gonçalves e
homenageará os 80 anos de Ferreira Gullar.
gaivotas perseguem peixes
quando estão com fome
a musa da minha janela
depois da prova de física
desfolha Charles Baudelaire
tem um jardim imaginário
no quintal desta metáfora
e um mar de algaravias
dentro dos olhos dela
percebo a flor da infância
bem-me-quer em teu cabelos
peixes que não são nuvens
girassóis fosse miragens
na veia algas marítimas
e uma fração logarítima
ainda por resolver
Artur Gomes e Mayara Pasquetti estão completando 4 anos de parcerias no palco, estreaiaram em 2006 em Bento Gonçalves, com um recital em homenagem ao centenário do porta gaúcho Mário Quintana. Este ano lá mesmo na serra gaúcha na capital nacional do vinho, durante a programação do XIII Congresso Brasileiro de Poesia, eles estarão mais uma vez dialogando poeticamente com o recital Palavras Diversas, que além da poesia do prório Artur, a dupla faz uma viagem pela poesia de Arnaldo Antunes, Eliakin Rufino, Mário Faustino, Ferreirta Gullar e Torquato Neto.
Se for Poema Fogo do Desejo, neste vídeo filmado por Jiddu Saldanha, eles estão no Parque das Ruínas em Santa Teresa Rio de Janeiro fazendo o que mais gostam: falando peosia.
segue abaixo alguns dos poemas que fazem parte do repertório do Recital Diversas Palavras:
NÃO HÁ VAGAS
O preço do feijão não cabe no poema. O preço do arroz não cabe no poema. Não cabem no poema o gás a luz o telefone a sonegação do leite da carne do açúcar do pão. O funcionário público não cabe no poema com seu salário de fome sua vida fechada em arquivos. Como não cabem no poema o operário que esmerila seu dia de aço e carvão nas oficinas escuras
- porque o poema, senhores está fechado: “não há vagas”
Só cabem no poema o homem sem estômago a mulher de nuvens a fruta sem preço
O poema senhores, não fede nem cheira
TRADUZIR-SE
Uma parte de mim é todo mundo: outra parte é ninguém: fundo sem fundo. uma parte de mim é multidão:outra parte estranheza e solidão. Uma parte de mim pesa, pondera: outra parte delira. Uma parte de mim é permanente: outra parte se sabe de repente. Uma parte de mim é só vertigem: outra parte,l inguagem. Traduzir-se uma parte na outra parte - que é uma questão de vida ou morte -será arte?
Cantiga para não morrer
Quando você for se embora, moça branca como a neve, me leve. Se acaso você não possa me carregar pela mão, menina branca de neve, me leve no coração. Se no coração não possa por acaso me levar, moça de sonho e de neve, me leve no seu lembrar. E se aí também não possa por tanta coisa que leve já viva em seu pensamento, menina branca de neve, me leve no esquecimento.
O mundo que venci deu-me um amor,
Um troféu perigoso, este cavalo
Carregado de infantes couraçados.
O mundo que venci deu-me um amor
Alado galopando em céus irados,
Por cima de qualquer muro de credo,
Por cima de qualquer fosso de sexo.
O mundo que venci deu-me um amor
Amor feito de insulto e pranto e riso,
Amor que força as portas dos infernos,
Amor que galga o cume ao paraíso.
Amor que dorme e treme. Que desperta
E torna contra mim, e me devora
E me rumina em campos de vitória...
Mário Faustino(1930-1962)
ditados populares
sem essa de dizer que a pressa
é inimiga da perfeição
eu sou amigo da pressa
perfeição não me interessa
não me interessa não
o que é perfeito está morto
eu quero o falho o feio o torto
quero os pecados da alma
e as imperfeições do corpo
se a pressa é inimiga da perfeição
e é amiga da mudança
irmã da revolução
boca fechada não entra mosca
mas também não sai palavras
que cala consente quem sente fala
o silêncio pode ser uma kaula
é preciso estar atento
é preciso ter cuidado
uma coisa é ser silêncio
outra é ser silenciado
lei do silêncio não faz sentido
o mundo sem palavas sé quadrado
lei do silêncio não faz meu tipo
o meu estilo é ser articulado
Eliakin Rufino Boa Vista - Roraima - RO
Um instante
Aqui me tenho
Como não me conheço
nem me quis
sem começo
nem fim aqui me tenho
sem mim
nada lembro
nem sei
à luz presente
sou apenas
um bicho
transparente
____________________
Aprendizado
Do mesmo modo que te abriste à alegria
abre-te agora ao sofrimento
que é fruto dela
e seu avesso ardente.
Do mesmo modo
que da alegria foste
ao fundo
e te perdeste nela
e te achaste
nessa perda
deixa que a dor se exerça agora
sem mentiras
nem desculpas
e em tua carne vaporize
toda ilusão
que a vida só consome
o que a alimenta. _______________________________
ferreira gullar
Socorro alguma alma
mesmo que penada,
me empreste suas penas,
já não sinto amor nem dor,
já não sinto nada.
Socorro alguém me dê um coração,
que esse já não bate nem apanha
Por favor, uma emoção pequena
Qualquer coisa que se sinta
Tem tanto sentimento
deve ter algum que sirva...
As coisas têm peso,
massa, volume, tamanho,
tempo, forma, cor, posição, t
extura, dura-
ção, densidade, cheiro,
valor, consistência, pro-
fundidade, contorno,
temperatura, função, aparência,
preço, destino, idade, sentido.
As coisas não têm paz.
Iluminuras
Pensamento vem de fora
e pensa que vem de dentro,
pensamento que expectora
o que no meu peito penso.
Pensamento a mil por hora,
tormento a todo momento.
Por que é que eu penso agora
sem o meu consentimento?
Se tudo que comemora
tem o seu impedimento,
se tudo aquilo que chora
cresce com o seu fermento;
pensamento dê o fora,
saia do meu pensamento.
Pensamento, vá embora,
desapareça no vento.
E não jogarei sementes
em cima do seu cimento. *
O amor. sem palavras.
Ou. A palavra amor, sem amor.
Sendo amor, ou. A palavra ou.
Sem substituir nem ser substituída por.
Si, a palavra si, sem ser designada
ou gnificada por.
O amor. Entre si e o que se. Chama amor,
como se. Amasse
(esse pedaço de papel escrito amor).
Somasse o amor ao nome amor,
onde ecoa.
O mar, onde some o mar onde soa.
A palavra amor, sem palavras.
arnaldo antunes
Marginália II
Eu, brasileiro, confesso
Minha culpa, meu pecado
Meu sonho desesperado
Meu bem guardado segredo
Minha aflição
Eu, brasileiro, confesso
Minha culpa, meu degredo
Pão seco de cada dia
Tropical melancolia
Negra solidão
Aqui é o fim do mundo
Aqui é o fim do mundo
Aqui é o fim do mundo
Aqui, o Terceiro Mundo
Pede a bênção e vai dormir
Entre cascatas, palmeiras
Araçás e bananeiras
Ao canto da juriti
Aqui, meu pânico e glória
Aqui, meu laço e cadeia
Conheço bem minha história
Começa na lua cheia
E termina antes do fim
Aqui é o fim do mundo
Aqui é o fim do mundo
Aqui é o fim do mundo
Minha terra tem palmeiras
Onde sopra o vento forte
Da fome, do medo e muito
Principalmente da morte Olelê, lalá
A bomba explode lá fora
E agora, o que vou temer?
Oh, yes, nós temos banana
Até pra dar e vender Olelê, lalá
Aqui é o fim do mundo
Aqui é o fim do mundo
Aqui é o fim do mundo
Let's play that
quando eu nasciu
m anjo louco muito louco
veio ler a minha mão
não era um anjo barroco
era um anjo muito louco, torto
com asas de avião
eis que esse anjo me disse
apertando minha mão
com um sorriso entre dentes
vai bicho desafinaro coro dos contentes
vai bicho desafinaro coro dos contentes
let's play that
dessde que eu saí de casa
triuxe a viagem na mão
cravada no meu umbigo
dentro fora assim comigo
minha prórpria condução
todo dia é dia dela
pode ser pode não ser
abro a porta ou a janela
todo dia é diaa D
há urubus no telhado
a carne seca é servida
um escorpião encravado
na sua própria ferida
não escapa
só escapo pela porta de saída
todo dia o mesmo dia
de amar-te a morte morrrer
todo dia mais um dia
menis dia dia D
por enquanto vou te amar assim em segredo como se o sagrado fosse o maior dos pecados originais e a minha língua fosse só furor dos canibais
e essa lua mansa fosse faca a afiar os versos que inda não fiz e as brigas dde amor que nunca quis mesmo quando o projeto aponta outra direção embaixo do nariz e é mais concreto que a argamassa do abstrato
por enquanto vou te amar assim adirando o teu retrato pensando a minha idade e o que trago da cidade embaixo as solas dos sapatos
2
o que trago embaixo as solas dos sapatos é fato. bagana acesa sobra do cigarro é sarro. dentro do carro ainda ouço Jimmi Hendrix quando quero dancei bolero sampleando rock and roll
pra colher lírios há que se por o pé na lama a seda pura foto-síntese do papel tem flor de lótus nos bordéis Copacabana procuro um mix da guitarra de Santanna com os espinhos da Rosa de Noel.
onde teus pés bailarina dançam cato os vestígios do tempo onde teus olhos bailarina olham um gato passeia no teu colo e na vidraça o giz derrama poesia escritas com punhos de ontem em tua cidade de serras onde teus braços bailarina sustentam tuas mãos que colhem uvas coloco águas de chuva para que teus vinhedos não cessem e deles brotem a flor o fruto sagrado e os teus segredos guardados entre os teus lábios de vinho
o amor não e apenas um nome que anda por sobre a pele um dia falo letra por letra no outro calo fome por fome é que a pele do teu nome consome a flor da minha pele
cravado espinho na chaga como marca cicatriz eu sou ator ela esfinge clarisse/beatriz
assim vivemos cantando fingindo que somos decentes para esconder o sagrado em nosso profanos segredos se um dia falta coragem a noite sobra do medo
na sombra da tatuagem sinal enfim permanente ficou pregando uma peça em nosso passado presente
o nome tem seus mistérios que se esconde sob panos o sol e claro quando não chove o sal e bom quando de leve para adoçar desenganos na língua na boca na neve
o mar que vai e vem não tem volta o amor e a coisa mais torta que mora lá dentro de mim teu céu da boca e a porta onde o poema não tem fim
May interperta artur gomes num filme de Jiddu Saldanha
Jura Secreta 41
porque te amo e amor não tem pele nome ou sobrenome não adianta chamar que ele não vem quando se quer porque tem seus próprios códigos e segredos
mas não tenha medo pode sangrar pode doer e ferir fundo mas é razãode estar no mundo nem que seja por segundo por um beijomesmo breve porque te amo no sol no sal no mar na neve
ontem sonhei com você noite inteira teus seios pulsavam em mim não sei quando então começou mas sei quando então foi assim
quanto mais pensava dormindo sabendo meu ser acordado fizemos amo dois alados na cama imortal do jardim os anjos do inferno rezavam num gozo de nunca ter fim
por quê trancar as portas tentar proibir as entradas se já habito os teus cinco sentidos e as janelas estão escancaradas?
um beija-flor risca no espaço algumas letras de um alfabeto grego signo de comunicação indecifrável eu tenho fome de terra e esse asfalto sob a sola dos meus pés agulha nos meus dedos
quando piso na Augusta o poema dá um tapa na cara da Paulista
flutuar na zona do perigo entre o real e o imaginário
João Guimarães Rosa Caio Prado Martins Fontes um bacanal de ruas tortas
eu não sou flor que se cheire nem mofo de língua morta o correto deixei na Cacomanga matagal onde nasci com os seus dentes de concreto São Paulo é quem me devora e selvagem devolvo a dentada na carne da rua Aurora
Este poema consta do meu livro “bocadotempo”, de 2001, que será relançado em breve, com algumas atualizações. Ao reler os textos, tive vontade de dividi-los ... espero que gostem!
Ver-te. Tocar-te. Que fulgor de máscaras. Que desenhos e rictus na tua cara Como os frisos veementes dos tapetes antigos. Que sombrio te tornas se repito O sinuoso caminho que persigo: um desejo Sem dono, um adorar-te vívido mas livre. E que escura me faço se abocanhas de mim Palavras e resíduos. Me vêm fomes Agonias de grandes espessuras, embaçadas luas Facas, tempestade. Ver-te. Tocar-te. Cordura. Crueldade.
meus lábios em teus ouvidos flechas netuno cupido a faca na língua a língua na faca a febre em patas de vaca as unhas sujas de Lorca cebola pré sal com pimenta tempero sabre de fogo na tua língua com coentro qualquer paixão re/invento
o corpo/mar quando agita na preamar arrebenta espuma esperma semeia sementes letra por letra na bruma branca da areia sem pensar qualquer sentido grafito em teu corpo despido poemas na lua cheia
por enquanto vou te amar assim em segredo como se o sagrado fosse o maior dos pecados originais e a minha língua fosse só furor dos canibais
e essa lua mansa fosse faca a afiar os versos que inda não fiz e as brigas dde amor que nunca quis mesmo quando o projeto aponta outra direção embaixo do nariz e é mais concreto que a argamassa do abstrato
por enquanto vou te amar assim adirando o teu retrato pensando a minha idade e o que trago da cidade embaixo as solas dos sapatos
Se posto ao lado da tendência mais comum na recente poesia brasileira, zero ponto zero,de IgorFagundes, sobressairá porque desfaz a falha polarização que segrega lirismo e cerebralismo (como se um poema lírico fosse elaborado nos pés); se posto ao lado da tradição dos poetas maiores, no Brasil e no Ocidente, ele achará um ambiente cativo porque colhe, com engenho e emoção, o que é mais alardeado em nosso tempo para desmerecer o objeto do alarde, fazendose dentro e fora da época; se posto isolado, o percurso até aqui efetuado pela obra do autor dotao de luz candente, porque é imensa a qualidade que distingue este livro dos três anteriores (os quais já apresentavam pontos plausíveis).
Um fator a dar maior solidez a zero ponto zero é a exibição de um poeta senhor de sua voz, apesar das múltiplas falas.
Confluindo o rigor da técnica com a ausência de maiúsculas, a erudição com temas corriqueiros, Igor Fagundes é tradicional sem ser tradicionalista; é moderno sem ser modernista (já nas epígrafes, assinadas por Heráclito e Paulo Henriques Britto). Trata-se de um poeta a manifestar em seu livro vigorosa captação crítica da realidade numa forma de escrita originalíssima.
O livro realiza, do início ao fim, um expressivo exercício irônico, porque nele tudo obedece a uma rigorosa disposição matemática: “ok, você venceu: há sim uma ordem / intrínseca ao correr,vagar das páginas”,diz“plano cartesiano”.
A maioria dos 65 textos é numerada de -31 a +31, tendo como eixo o“ponto zero”, o que subverte a numeração convencional.
O primeiro e o último texto evidenciam a unidade circular da obra, visto serem identificados com o símbolo do infinito (apondo-se ao primeiro o sinal negativo e ao primeiro, o p o s i t ivo ) .
Apesar do corpo numérico, a razão de ser do livro é denunciar e rejeitar a enganosa e danosa algebrização do viver, seja no âmbito específico do livro –
“de um livro quase todo em formas fixas espera-se o equilíbrio, a simetria e como se negasse a própria sina aponta para o oposto dessa trilha”
– no do sujeito –
“calculados de acertos meus pecados: erro-me assim tão exato”
– e no da existência, em sentido mais amplo –
“e a vida morre quando se dá conta em matemática, tão certa, falha”.
Ao lado da ironia (aqui entendida em seu sentido original, “questionamento”), destacase uma atividade metalinguística que por toda a extensão do livro reflete acerca de sua natureza, sem nunca cair na gratuidade teórica.
Na seção “positiva” da peça (em que os textos recebem sinal de mais), os poemas-algarismos de zero a nove têm como tema o próprio número que os indica. E um aspecto da grandeza de zero ponto zero (ao lado de sua aguda cosmovisão) é a extrema coesão de todos os seus fatores em todas as suas partes; dessa forma, estes poemas não apenas falam sobre os números intituladores.
Cria-se com eles um pano de fundo para que o já dito torne-se inédito, como nesta belíssima passagem de
“dois”:
“não à preguiça de pensar dicotomias como se tudo fosse antônimo e simplista (...) sim ao limite em que começa e não termina a comunhão das coisas, gentes, como rimas sim ao casal, se o amor dos pares chega ao ímpar ao singular plural e ao filho que culmina sim ao que é não, se a partir dele, a vida afirma-se e em cada enjambement a morte em verso adia-se”.
Essa poética impactante, que se poderia classificar como “de peso”, quebra sucessivamente qualquer aparência de maniqueísmo ou de monotonia. Mas entre as investidas de envergadura teórica, presentifica a leveza de um amor adolescente (o que se soma à negação da vida em aritmético regresso) no texto “romântico”, termo de baixo calão para a poesia contemporânea:
“curta seu love, tire uma casquinha amar é sair junto, ao cine e após tomar um ice cream numa pracinha e nele derreterse, ao sol, e a sós”.
sobre o guarda noturno que vigia minha rua sobre o traficante que vende na mesma rua sobre o mendingo ruminando uma miséria que é tão sua três estrelas brilham esculpem silêncios num céu que sussurra nos tímpanos da eternidade além da janela de meu quarto guardas noturnos traficantes e mendingos amam e deixam de amar vivem e morrem odeiam e deixam de odiar assim como o casal que se beija ao meu lado ou como o garçon de olhar cansado que me traz a cerveja enquanto a vida extirpa o coração dos sonhos nos altares da realidade e nos lábios da mocidade no olhar dos velhos que esperam deuses natimortos ofertam-nos preces de morte reciclada
Fernando Freire Gama, - DF -18.08.2010
Riverdies 21 de agosto – Garage – Praça da Bandeira - Rio
Fulinaimagem
Fulinaimagem
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por enquanto vou te amar assim em segredo como se o sagrado fosse o maior dos pecados originais e a minha língua fosse só furor dos canibais
e essa lua mansa fosse faca a afiar os versos que inda não fiz e as brigas dde amor que nunca quis mesmo quando o projeto aponta outra direção embaixo do nariz e é mais concreto que a argamassa do abstrato
por enquanto vou te amar assim adirando o teu retrato pensando a minha idade e o que trago da cidade embaixo as solas dos sapatos
onde teus pés bailarina dançam cato os vestígios do tempo onde teus olhos bailarina olham um gato passeia no teu colo e na vidraça o giz derrama poesia escritas com punhos de ontem em tua cidade de serras onde teus braços bailarina sustentam tuas mãos que colhem uvas coloco águas de chuva para que teus vinhedos não cessem estejam sempre em meus caminhos e deles brotem da flor o fruto sagrado e os teus segredos guardados entre os teus lábios de vinho
2
o que trago embaixo as solas dos sapatos é fato. bagana acesa sobra do cigarro é sarro. dentro do carro ainda ouço Jimmi Hendrix quando quero dancei bolero sampleando rock and roll
pra colher lírios há que se por o pé na lama a seda pura foto-síntese do papel tem flor de lótus nos bordéis Copacabana procuro um mix da guitarra de Santanna com os espinhos da Rosa de Noel.
É das uvas roxas que abocanho em tua boca e em teu fruto exposto que faço meu vinho, meu sangue, que para ti como um rio corre, minha paixão, muso do meu canto vindo do fundo da terra, basalto e magma, esperma de fundas furnas e de grutas e das fendas submersas de onde atocaiado tu me espias, para ti meu canto, um também roxo canto uivando das entranhas, mãos, garganta a me dizer: vida a ser trazida entre os dentes atravessada tal uma faca.
Olga Savary
entriDentes
olhei a cara do tempo ela estava fechada não me dizia nada
pensei as sagaraNAgens que o tempo fazia comigo peguei do tempo o umbigo cortei na ponta da faca
e a tua cara de vaca sangrei sem nenhum remorso porque isso o tempo não tem
agora o tempo sorri me mostra os dentes da boca e a tua cara de louca é a minha cara também
jura NÃO secreta
quero dizer que ainda arde tua manhã em minha tarde a tua noite no meu dia
tudo em nós que já foi feito com prazer inda faria
quero dizer que ainda é cedo ainda tenho um samba-enredo tudo em nós é carnaval é só vestir a fantasia
quero ser teu mestre/sala e você porta/bandeira quando chegar na quarta feira a gente inventa outra fulia unplugged
quero bota no seu Orkut um negócio sem vergonha um poema descarada
ta chegando fevereiro e meu rio de janeiro fica lindo e mascarado
quero botar no seu e-mail um negócio por inteiro
que eu não sou zeca baleiro pra ficar cantando a mama que ainda tem medo do papa
meu negócio é só com a mina que me trampa quando trapa meu negócio é só a mina que me canta ouvindo o rappa
onde era vôo de pássaros (os pássaros estavam quietos). Uma febre roía meus ouvidos: voltei mais velha (exilada) com um toque de infância entre meus dedos, reserva de sal dentro dos olhos.
Olga Savary
a esperança me o- briga a caminhar em círculo em tor -no do globo em tor- no de mim mesmo em torno de uma mesa de jogo até que o zodíaco pára e a noite costura- me a boca a retrós preto/ mas eu fico impresso no olho do dia obsoleto viagem em círculo sem ida nem vinda sem nenhuma avenida adeus com a mão esquerda/ amanhã recomeço minha lida entre um e outro julho entre um e outro crepúsculo a cidade que busco como hei de encon-trá-la ouço-lhe a fala mas estou na outra sala/ amanhã sem endereço recomeço o meu começo
a esperança é um círculo no zodía-co na ciranda na roleta na rosa do circo na roda do moinho amanhã recomeço meu caminho
E me pergunto: em que lado do glo- bo terá cessado o diálogo da ovelha e do lobo ?
II
a esfera em torno de si mesma me ensina a espera a espera me ensina a esperança a esperança me ensina uma nova espera a nova espera me ensina de novo a esperança na esfera
a esfera em torno de si mesma me ensina a espera a espera me ensina a esperança a esperança me ensina uma nova espera a nova espera me ensina uma nova esperança na esfera a esfera em torno de si mesma me ensina a espera a espera me ensina a esperança a esperança me ensina uma nova espera a nova espera me ensina uma nova esperança na esfera
Dedé Muylaert
Meu mestre, senhor da poesia, to louco pra montar alguma loucura contigo. espero que vc esteja bem e produzindo bastante. Vê se vc gosta:
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Enquanto escrevo o poema me renega digo o que não devo escrevo o que não traço e ocasionalmente faço
A Linha do provável ultrapasso . Frequentemente Às vezes, lasso não escrevo nem faço nem passo nem fico identifico e aí sou eu mesmo de braços abertos preso num abraço como um escuro do cinema perante o meu dilema: pau no poema ou é só cena poeminha diadema?
Mania de Saúde Arte e Cultura Nosso Jornal é Mensal mas nosso Blog é diário
Nos próximos dias 5, 6, e 7 às 21:00h no Teatro de Bolso, e no dia 8 às 20:00h, Sidney Navarro e Thiago Eugêgio, encontra-se no palco interpretando, respectivamente Helena Beatriz e Maria Eduarda, na comédia É A Mãe, vejam os vídeos promocionais no blog Mania de Saúde http://mania-de-saude.blogspot.com/ leia ainda Regulamento e Programação do Fórum Latino americano de Fotografia, realizado em São Paulo pelo Itau Cultural, e Regulamento do Prêmio Porto Seguro de Fotografia 2010, além de uma entrevista com Silvano Motta, Diretor de Eventos do Cine Teatro São João, integrante do Grupo de Teatro Nós na Rua, e responsável pelo Festival de Inverno de Cultura de São João da Barra.
AGENDA MPBAR:
QUARTA E QUINTA (21H) - LOLÔ (MPB) SEXTA (21H) - LOLÔ E EROS (MPB E POP) SÁBADO (21H) - MARIA FERNANDA E TICO FLORIANO (BOSSA NOVA) DOMINGO (14H)- QUARTETO REGRA TRÊS (CHORO)
DIA 6/8, 21H, BLUES, POESIA, HUMOR E AFINS NA NOITE DO ENCRAVO E A ROSA. COM LUIZZ RIBEIRO, ARTUR GOMES, SÉRGIO MÁXIMO E CLARA BRITO
NÃO PERCAM NOSSA I NOITE CAIPIRA! DIA 20/08, 21H . FORRÓ AO VIVO
MPBar – Rua Alonso Coelho da Silva, 34 - Flamboyant
poema da boca fehcada
Não direi: Que o silêncio me sufoca e amordaça. Calado estou, calado ficarei, Pois que a língua que falo é de outra raça.
Palavras consumidas se acumulam, Se represam, cisterna de águas mortas, Ácidas mágoas em limos transformadas, Vaza de fundo em que há raízes tortas.
Não direi: Que nem sequer o esforço de as dizer merecem, Palavras que não digam quanto sei Neste retiro em que me não conhecem.
Nem só lodos se arrastam, nem só lamas, Nem só animais bóiam, mortos, medos, Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam No negro poço de onde sobem dedos.
Só direi, Crispadamente recolhido e mudo, Que quem se cala quando me calei Não poderá morrer sem dizer tudo.
no dia 6 de agosto cachorro que soy louco com gosto vou louvar o meu senhor
2
salve-me santíssimo salva/dor da dor do horror desta cidade que um dia foi dos goytacazes mortos por urubus da terra alheia
3
santíssimo salva/dor salve-me da santa ceia salve-me das virgens de pedra das santas que não são fedras as “padroeiras” do Brasil
4
salve-me santíssimo salva/dor da feracidade horrorosa sal-ve-me do encravo e da rosa dos carnavais no mês de abril
5
pro diabo não sou santo nem visto o corpo com manto soy couro cru & carne viva soy carne viva & couro cru não tenho a língua que medra soy carNAvalha na piedra my sagrado y profano aprendiz de los hermanos canibais lá do xingu
6
não tenho amor pelas santas meu sangue corre nas plantas em minhas mãos esmeril mas tenho amor pelas putas a prostituta que pariu
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santíssimo salva/dor salve-me da dor do desgosto de desfraudar mês agosto bandeiras tropicanalhas salve-me das catequeses dos evangélicos pastores de amores de sacristia salve-me da hipocrisia planalto central céu azul
salve-me deste país e deste estado de surto se é pra xingar não me furto na flor da pele não tem panos
salve-me destes tiranos dos campos da américa do sul
hoje em ti amanheci ana/brasília mesmo não sendo mulher ou filha bem-te-quis meu bem-te-vi ao levitar em tuas asas mergulhei mares que em teus olhos conheci
2
Xangô é parte da pedra Exu fagulha de ferro Ogum espada de aço
faz do meu colo teus braços
Oxossi carne da mata Yemanjá água do mar Yansã é fogo vento tempestade
Oxum é água doce Oxalá em ti me trouxe te canto como se fosse um novo deus em liberdade
3
sou teu leão de fogo todo jogo que me propor eu topo
beber teu copo comer da tua comida
encarnar de frente a janela de entrada e se for preciso : a porta de saída
4
moro no teu mato dentro não gosto de estar por fora tudo que me pintar eu invento como o beijo no teu corpo agora
desejo-te pelo menos enquanto resta partícula mínima micro solar floresta sendo animal da mata atlântica quântico amor ou meta física tudo que em mim não há respostas
metáfora d´alquimim fugaz brazílica beijo-te a carne que te cobre os ossos pele por pele pelas tuas costas
os bichos amam em comunhão na mata como se fosse aquela hora exata em que despes de mim o ser humano e no corpo rasgamos todo pano e como um deus pagão pensamos sexo.
Eu não quero os bibelôs de ontem
nem os olhares e os beijos enterrados
nas cartas deste armário
não quero as memórias estáticas em foto-porta-poeira
Quero a invenção de novos sentidos
percorrer papéis dis-grafados
Sem-escritos
Não busco a memória de um tempo perdido
não dormiria com Proust
nem mesmo amaria nostálgicos homens.
Doaria, sim, este corpo aos versos de M.A
e a poesia da mulher do ponto de ônibus.
beijaria os lábios de Hilst
amaria os amantes dos meus amantes.
O vento passa a rir, torna a passar
Em gargalhadas ásperas de demente;
E esta minh’alma trágica e doente
Não sabe se há de rir, se há de chorar!
Vento de voz tristonha, voz plangente,
Vento que ris de mim sempre a troçar,
Vento que ris do mundo e do amor,
A tua voz tortura toda a gente!...
Vale-te mais chorar, meu pobre amigo!
Desabafa essa dor a sós comigo,
E não rias assim!... O vento, chora!
Que eu bem conheço, amigo, esse fadário
Do nosso peito ser como um Calvário,
e a gente andar a rir p’la vida fora!!
Florbela Espanca
E acordamos cegos, mudos e incólumes antes do espanto
Alguns elefantes pisotearam teu jardim de verdes sonhos
E a águia foi fazer ninho no chapéu olvidado do avô
Porque as nossas tardes são assim ,ainda, quando esquecemos
O silêncio.
Lembra dos instantes onde a agonia era quase um balsamo?
E das feridas como troféus duma batalha tingida de crepúsculos?
Como era estranho não reconhecer os nossos pecados e rir
E a penitência era alguma fruta roubada na primavera de Maria
Desconhecemos a temporalidade e a métrica das horas
Segundos ou palavras, horas ou rimas e o teu olhar negando as distâncias
Quem de nós amarrou o corcel antes que as tormentas chegassem?
Poças de pestilentas larvas já não atraem as borboletas nem os lagartos suicidas
Pergunto-te de novo, quem de nós amarrou o corcel antes que as tormentas chegassem...
Flavio Pettinichi- 03- 06- 2010
DE UM LADO E OUTRO
Me fosse dada
a graça
de ser um outro,
aceitaria, quem sabe,
ser você,
você, de corpo e alma,
desde que você,
é claro,
me aceitasse
Artur, essa é pra vc, meu velho ! Abraços, Rogerio
Gomes & Gumes ROGERIO SANTOS(para Artur Gomes)
o gume da brisa avisa que Artur, bardo rei sua poesia metralha entre o calçado e a calçada entre o mar e a muralha da musa de tanga a cangalha bala fala de navalha dos entrefolhos, bocas & beco das garrafas suculentos poemas em pets cruza Crusoé sete mares moura pepita de pirita onde quem cala naufraga Artur é enxada minhoca danada é espada cravada na fenda da palavra (e ai de quem pedra furada)
Se Porém Fosse Portanto Se trezentos fosse trinta o fracasso era um portento se bobeira fosse finta e o pecado sacramento se cuíca fosse banjo água fresca era absinto se centauro fosse anjo e atalho labirinto Se pernil fosse presunto armadilha era ornamento se rochedo fosse vento cabra vivo era defunto se porém fosse portanto vinho branco era tinto se marreco fosse pinto alegria era quebranto se projeto fosse planta simpatia era instrumento se almoço fosse janta e descuido fosse tento se punhado fosse penca se duzentos fosse vinte se tulipa fosse avenca e assistente fosse ouvinte se pudim fosse polentas e São Bento fosse santo dona Benta fosse benta e o capeta sacrossanto se a dezena fosse um cento se cutia fosse anta se São Bento fosse bento e dona Benta fosse santa.