
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Oi, Artur !Escrevi inspirada no "Jura Secreta 13"

terça-feira, 27 de outubro de 2009
letras celestiais
ácido pássaro abatido de gozo e riso
banido do paraíso
ferido em tombo preciso
letra de fado ritmo de samba
soar colorido feito blues
de branco tingido
que deus me prove
vai que o céu é mais ao sul
e deus me love
e deus me livre de ser eu
a besta do após calipso
vai que eu sei que viro a mesa
luso-afro-brasileira
de madeira nobre
expondo os restos coloniais
desta nação de hipócritas
mostrando os rastros
desta história corrompida
vai que sei
não estou só
e não é só meu esse nó
e esse bom gosto na língua
rodrigo mebs
http://frutafarta.blogspot.com/
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
humanice

Beatriz e o Poeta
Artur Gomes & Mayara Pasquetti Jura Não Secreta
Artur Gomes & Mayara Pasquetti Fulinaimagem
Cena do Primeiro Encontro
O que é que mora em tua boca bia
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Poéticas Áudio Visuais
Albatrozes na costa da lagoa
Na costa da lagoa
Travessia da lagoa da conceição
A montanha bêbada
Praia de Moçambique
Areal da costa de Moçambique
sábado, 26 de setembro de 2009
borbulham na mente
quando o sol se apaga
lembranças espessas
são guizo de serpente
quando a noite se propaga
Úrsula Avner
Nerudianas
Prefiro que não, amada.
Para que nada nos amarre
que nada nos una.
Nem a palavra que aromou tua boca,
nem o que não disseram as palavras.
Nem a festa de amor que não tivemos,
nem teus soluços perto da janela.
Amo o amor dos marinheiros
que beijam e se vão.
Deixam uma promessa.
Não voltam nunca mais.
Em cada porto uma mulher espera:
os marinheiros beijam e se vão.
Uma noite se deitam com a morte
no leito do mar.
(Pablo Neruda in Crepusculario)
Seria tua musa desde que
aprendêssemos a roçar
minha língua tua língua
envolvidas nesse mar.
Envolvidas nesse mar
suculentas nerudianas
mil histórias duas bocas
minha língua tua língua
alagadas tateando
aprendêssemos a roçar
enviesadas declarando.
Seria tua musa desde que
duas línguas um destino
soubessem conspirar.
Lou Vilela
http://nudezpoetica.blogspot.com/
quinta-feira, 24 de setembro de 2009

A campanha Loucos Somos Nós, além do recolhimento de doações(material de limpeza, higiene pessoal e roupas usadas), prevê ações com arte cultura e lazer voltadas para os pacientes do referido hospital, constituindo assim um projeto Social permanente da Associação de Arte e Cultura Esporte e Lazer Nação Goytacá.
As doações serão entregues diretamente ao Hospital em horários e dias que divulgaremos brevemente.
Overcoming Skate Vídeo
Família do Skate se junta a Nação Goytacá
e a ProBeach Vôllei na campanha Loucos Somos Nós
em prol do Hospital João Vianna. –
Dia 26 setembro setembro 2009
19:00 – Furdunço Etílico – Semana da Imprensa
20:00h – Lançamento da Campanha Loucos Somos Nós
22:00h - volta da banda Avyadores doBrazyl
+ Reubes Pess + Humor + Eixo Nacional + Rock
Blues Poesia + Graffiti & Outros Baratos Afins
Taberna D Tutty – Rua das Palmeiras, 13
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
tenho dez almas:
uma de carne
onde me exponho aos instintos.
a segunda entrego ao zelador
par que o espanador a inflame.
a terceira
quarta
quinta
sexta
sétima
oitava
entrego-as à mulher amada
para seu domínio completo
a nona carrego comigo
para sustentar o que de solidão exala
a décima
o que sobra dessa solidão
celso borges
Poema obsceno
Façam a festa
cantem e dancem
que eu faço o poema duro
o poema-murro
sujo
como a miséria brasileira
Não se detenham:
façam a festa
Bethânia Maninho
Clementina
Estação Primeira de Mangueira Salgueiro
gente de Vila Isabel e Madureira
todos
façam
a nossa festa
enquanto eu soco este pilão
este surdo
poema
que não toca no rádio
que o povo não cantará
(mas que nasce dele)
Não se prestará a análises estruturalistas
Não entrará nas antologias oficiais
Obsceno
como o salário de um trabalhador aposentado
o poema
terá o destino dos que habitam
o lado escuro do país- e espreitam.
Ferreira Gullar
Mais sobre Ferreira Gullar em
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ferreira_Gullar
Máquina do Tempo
E como eu palmilhasse vagamente
uma estrada de Minas, pedregosa,
e no fecho da tarde um sino rouco
se misturasse ao som de meus sapatos
que era pausado e seco; e aves pairassem
no céu de chumbo, e suas formas pretas
lentamente se fossem diluindo
na escuridão maior, vinda dos montes
e de meu próprio ser desenganado,
a máquina do mundo se entreabriu
para quem de a romper já se esquivava
e só de o ter pensado se carpia.
Abriu-se majestosa e circunspecta,
sem emitir um som que fosse impuro
nem um clarão maior que o tolerável
pelas pupilas gastas na inspeção
contínua e dolorosa do deserto,
e pela mente exausta de mentar
toda uma realidade que transcende
a própria imagem sua debuxada
no rosto do mistério, nos abismos.
Abriu-se em calma pura, e convidando
quantos sentidos e intuições restavam
a quem de os ter usado os já perdera
e nem desejaria recobrá-los,
se em vão e para sempre repetimos
os mesmos sem roteiro tristes périplos,
convidando-os a todos, em coorte,
a se aplicarem sobre o pasto inédito
da natureza mítica das coisas,
assim me disse, embora voz alguma
ou sopro ou eco ou simples percussão
atestasse que alguém, sobre a montanha,
a outro alguém, noturno e miserável,
em colóquio se estava dirigindo:
"O que procuraste em ti ou fora de
teu ser restrito e nunca se mostrou,
mesmo afetando dar-se ou se rendendo,
e a cada instante mais se retraindo,
olha, repara, ausculta: essa riqueza
sobrante a toda pérola, essa ciência
sublime e formidável, mas hermética,
essa total explicação da vida,
esse nexo primeiro e singular,
que nem concebes mais, pois tão esquivo
se revelou ante a pesquisa ardente
em que te consumiste... vê, contempla,
abre teu peito para agasalhá-lo.
”As mais soberbas pontes e edifícios,
o que nas oficinas se elabora,
o que pensado foi e logo atinge
distância superior ao pensamento,
os recursos da terra dominados,
e as paixões e os impulsos e os tormentos
e tudo que define o ser terrestre
ou se prolonga até nos animais
e chega às plantas para se embeber
no sono rancoroso dos minérios,
dá volta ao mundo e torna a se engolfar,
na estranha ordem geométrica de tudo,
e o absurdo original e seus enigmas,
suas verdades altas mais que todos
monumentos erguidos à verdade:
e a memória dos deuses, e o solene
sentimento de morte, que floresce
no caule da existência mais gloriosa,
tudo se apresentou nesse relance
e me chamou para seu reino augusto,
afinal submetido à vista humana.
Mas, como eu relutasse em responder
a tal apelo assim maravilhoso,
pois a fé se abrandara, e mesmo o anseio,
a esperança mais mínima — esse anelo
de ver desvanecida a treva espessa
que entre os raios do sol inda se filtra;
como defuntas crenças convocadas
presto e fremente não se produzissem
a de novo tingir a neutra face
que vou pelos caminhos demonstrando,
e como se outro ser, não mais aquele
habitante de mim há tantos anos,
passasse a comandar minha vontade
que, já de si volúvel, se cerrava
semelhante a essas flores reticentes
em si mesmas abertas e fechadas;
como se um dom tardio já não fora
apetecível, antes despiciendo,
baixei os olhos, incurioso, lasso,
desdenhando colher a coisa oferta
que se abria gratuita a meu engenho.
A treva mais estrita já pousara
sobre a estrada de Minas, pedregosa,
e a máquina do mundo, repelida,
se foi miudamente recompondo,
enquanto eu, avaliando o que perdera,
seguia vagaroso, de mãos pensas.
Carlos Drummond de Andrade
Gilda
Não ponha o nome de Gilda
na sua filha, coitada,
Se tem filha pra nascer
Ou filha pra batisar.
Minha mãe se chama Gilda,
Não se casou com meu pai.
Sempre lhe sobra desgraça,
Não tem tempo de escolher.
Também eu me chamo Gilda,
E, pra dizer a verdade
Sou pouco mais infeliz.
Sou menos do que mulher,
Sou uma mulher qualquer.
Ando à-toa pelo mundo.
Sem força pra me matar.
Minha filha é também Gilda,
Pro costume não perder
É casada com o espelho
E amigada com o José.
Qualquer dia Gilda foge
Ou se mata em Paquetá
Com José ou sem José.
Já comprei lenço de renda
Pra chorar com mais apuro
E aos jornais telefonei.
Se Gilda enfim não morrer,
Se Gilda tiver uma filha
Não põe o nome de Gilda,
Na menina, que não deixo.
Quem ganha o nome de Gilda
Vira Gilda sem querer.
Não ponha o nome de Gilda
No corpo de uma mulher.
Murilo Mendes
POEMA PARA O ÍNDIO XOKLENG
Se um índio xokleng
sub
jaz
no teu crime branco
limpo depois de lavar as mãos
Se a terra
de um índio xokleng
alimenta teu gado
que alimenta teu grito
de obediência ou morte
Se um índio xokleng
dorme sob a terra
que arrancaste debaixo de seus pés,
sob a mira de tua espingarda
dentro de teus belos olhos azuis
Se um índio xokleng
emudeceu entre castanhas,
bagas e conchas
de seus colares de festa
graças a tua força, armadilha, raça:
cala tua boca de vaidades
e lembra-te de tua raiva, ambição, crueldade
Veste a carapuça
e ensina teu filho
mais que a verdade camuflada
nos livros de história
Lindolf Bell
(enviado pela pesquisadora urda Kuegler, de Sc.
Em memória do grande poeta catarinense, existe em Timbó, sua cidade natal, o centro de memória Lindolf Bell, onde viveu e onde estão devidamente preservados móveis,objetos,livros, manuscritos ,etc.
A curadora é sua filha Rafaela Heting bell, filha da artista plástica ,a escutora Elke Hering Bell. Rafaela , que cresceu em meio à poesia paterna e à arte materna, galeria de arte de seu pai, é diretora do MAB(Museu de Arte de Blumenau). A galeria do poeta, que foi conhecido marchand chamou-se Açu-Açu.
AÇU - quer dizer "grande", "comprido". Açu-açu: muito grande. Os indígenas repetem a palavra, para dar a noção de muito, de grande, de muitos. Assim, pana-paná, muitas borboletas. Ati-ati: muitas gaivotas.
Terra de santa cruz
ao batizarem-te
deram-te o nome
posto que a tua profissão
é abrir-te em camas
dar-te
em ferro
ouro
prata
rios
peixes
minas
mata
deixar que os abutres
devorem-te na carne
o derradeiro verme
sal gado mar
de feses
bnatendo nas muralhas
do meu sangue confidente
quem botou o branco
na bandeira de alfenas
só pode ser canalha
na certa se esqueceu
das orações dos penitentes
e da corda que estraçalha
com os culhões de tiradentes
salve-lindo pendão
que balança
entre as pernas
abertas da paz
tua nobre sifilítica
herança
dos rendevouz
de impérios atrás
meu coração
é tão hipócrita
que não janta
e mais imbecil
que ainda canta:
ou
viram no Ipiranga
às margens plácidas
uma bandeira arriada
num país que não levanta.
fosse o brazil mulher das amazonas
caminhasse passo a passo
disputasse mano a mano
guardasse a fauna e a flora
da fome dos tropicanos
ouvisse o lamentos dos peixes
jandaias araras e tucanos
não estaríamos assim condicionados
aos restos do sub-humano
só desfraldando a bandeira tropicalha
é que a gente avacalha
com as chaves dos mistérios
desta terra tão servil:
tirania sacanagem safadeza
tudo rima uma beleza
com a pátria mãe que nos pariu
bem no centro do universo
te mando um beijo ó amada
enquanto arranco uma espada
do meu peito varonil
espanto todas as estrelas
dos berços do eternamente
pra que acorde toda esta gente
deste vasto céu de anil
pois enquanto dorme o gigante
esplêndido sono profundo
não vê que do outro mundo
robôs te enrrabam ó mãe gentil
telefonaram-me
avisando-me que vinhas
na noite
uma estrela
ainda brigava
contra a escuridão
na rua sob patas
tombavam homens indefesos
esperei-te 20 anos
até hoje não vieste à minha porta
- foi um puta golpe!
o poeta estraçalha a bandeira
raia o sol marginal Quinta feira
na geléia geral brazileira
o céu de abril não é de anil
nem general é my brazil
minha ver/amarela esperança
portugal já vendeu para a frança
e o coração latino balança
entre o mar de dólar do norte
e o chão dos cruzeiros do sul
o poeta esfrangalha a bandeira
raia o sol marginal Sexta feira
nesta porra estrangeira e azul
que a muito índio dizia:
meu coração marçal tupã
sangra tupi & rock in roll
meu sangue tupiniquim
em corpo tupinambá
samba jongo maculelê
maracatu boi bumbá
a veia de curumim
é coca cola & guaraná
o sonho rola no parque
o sangue ralo no tanque
nada a ver com tipo dark
muito menos com punk
meu vício letal é baiafro
com ódio mortal de yank
ó baby a coisa por aqui
não mudou nada
embora sejam outras
siglas no emblema
espada continua a ser espada
poema continua a ser poema
Artur Gomes
Nação Gýtacá
http://goytacity.blogspot.com/
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Artur Gomes e Mayara Pasquetti
De 5 a 10 outubro 2009
Congresso Brasileiro de Poesia
Bento Gonçalves - RS
CREDO
Creio na significação do espaço
desbravado em ondas
na consecução do plano inferior
da metamorfose entre o sim
e o não na aceitação dos fatos
na proibição do consumido
em dias alternados conforme dito
aos deuses no esquecimento
na marcação da pele em suaves
disputas introduzidas em pontos
de indignação e coragem
elevada ao silêncio da palavra
em desculpa e ausência
no amor ofertado e possuído
como entrega e estrada percorrida
na idealização do reflexo sobre
o espelho estraçalhado em imagens.
(Pedro Du Bois, inédito)
http://pedrodubois.blogspot.com
outros poemas:
http://valeemversos.blogspot.com/
poema para um olhar dalí
dentro do arame farpado
este poema deve ter entrado
para nunca mais sair
PÁTRIA(R)MADA
só me queira assim caçado
mestiço vadio latino
leão feroz cão danado
perturbando o seu destino
e só me queira encapetado
profanando àqueles hinos
malandro, moleque, safado
depravando os seus meninos
só me queira enfeitiçado
veloz, macio, felino
em pêlo nu depravado
em sua cama sol a pino
e só me queira desalmado
cão algoz e assassino
duplamente descarado
quando escrevo e não assino
antLírica
eu não sou zen
muito menos zhô
nem tão pouco
zapa
nem ando na contra capa
do teu disquinho
digital
não alinho pela esquerda
nem à direita do fonema
vôo no centro/viagem
olho rasante/miragem
veia pulsante/poema
Lady Gumes African's Baby
meto meus dedos cínicos
no teu corpo em fossa
proclamando o que ainda possa
vir a ser surpresa
porque amor não tem essa
de cumer na mesa
é caçador e caça
mastigando na floresta
todo tesão que resta
desta pátria indefesa
ponho meus dedos cínicos
sobre tuas costas
vou lambendo bostas
destas botas NeoBurguesas
porque meu amor não tem essa
de vir a ser surpresa
é língua suja grossa visceral ilesa
pra lamber tudo que possa
vomitar na mesa
e me livrar da míngua
dessa língua portuguesa.
sousAndrática
leve
ave pena
leve
arara amazônica
breve sobrevoa
rara lâmpada
límpida
azul de zinco
impávida oceânica
cérebro vivo
ofusca
a serra wall street
cega
bela city desumana
anti passarada
morte
que me roa
ave pena
leve
sousândrade
que me voa
SampleAndo
o poema pode ser um beijo em tua boca
carne de maçã em maio
um tiro oculto sob o céu aberto
estrelas de neon em vênus
refletindo pregos no meu peito em cruz
na paulista consolação
na na água branca barra funda
metal de prata desta lua que me inunda
num beijo sujo como a estação da luz
nos vídeos/filmes de TV
eu quero um clipe nos teus seios quentes
uma cilada em tuas coxas japa
como uma flecha em tuas costas índia
ninja, gueixa
eu quero a rota teu país ou mapa
teu território devastar inteiro
como uma vela ao mar de fevereiro
molhar teu cio e me esquecer na lapa
transparências no papel a seda
grafismo em carne minha cor nos dedos
recortes visuais no olho vazados
como um cão em marte
fissura de espada em riste
aponto minha língua em cortes
a flama do meu sangue em chamas
imagens regrafando imagens
a sombra do objeto em prismas
o dedo no gatilho oculto
atiro
contra o tédio infame
pedaços do meu corpo em prumo
poemas refazendo em transe
retalhos de um tecido em partes
seguindo por segundo a trilha
na etérea construção da arte
veredas pois...
o vácuo na palavra
espaço entre o tempo e o oco
do tempo as letras
uma a uma não dizendo nada
poema inconcluso onde uso
a cardioGrafia das pedras
como espelho d’água
as paredes das palavras
as muralhas dos poemas
as cordilheiras das letras
a criação das coisasa que damos nome
anna katarina do itanhandu
a pele de sol na carne da lua
o sangue das estátuas
a escritura das veias
junto a isso leio os passos
da noite e as curvas do trem
na estação
da janela a montanha nos olhos
contraste entre o solar e os edifícios
escuto teu silêncio incauto
e ladro como um cão vencido
a lua me persegue em signos
na boca de um dragão noturno
a coisa que percebo é vasta
letreiros urbanizando íntimos
a pedra do meu sonho é gêmea
irmã dos teus segredos ínfimos
Artur Gomes
http://multiartecultura.blogspot.com
pária
somos poucos
cada vez menos
somos loucos
cada vez mais
somos além
dessa matéria óbvia
que nos faz dizer
— tá tudo bem.
celsoborges
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Família do Skate se junta a Nação Goytacá
e a ProBeach Vôllei na campanha Loucos Somos Nós
em prol do Hospital João Vianna. –
Dia 26 setembro setembro 2009
19:00 – Furdunço Etílico – Semana da Imprensa
20:00h – Lançamento da Campanha Loucos Somos Nós
22:00h - volta da banda Avyadores doBrazyl
+ Eixo Nacional + Rock Blues Poesia
+ Graffiti & Outros Baratos Afins
Taberna D Tutty – Rua das Palmeiras, 13
http://overcomingskateblog.blogspot.com
http://www.youtube.com/watch?v=geeo2Lnp8wM&feature=player_embedded
o delírio é a lira do poeta
se o poeta não delira
sua lira não profeta
arturgomes
Nação Goytacá
http://goytacity.blogspot.com
terça-feira, 15 de setembro de 2009
a gente ia ser homero
a obra nada menos que uma ilíada
depois
a barra pesando
dava pra ser aí um rimbaud
um ungaretti um fernando pessoa qualquer
um lorca um éluard um ginsberg
por fim
acabamos o pequeno poeta de província
que sempre fomos
por trás de tantas máscaras
que o tempo tratou como a flores
eu queria tanto
ser um poeta maldito
a massa sofrendo
enquanto eu profundo medito
eu queria tanto
ser um poeta social
rosto queimado
pelo hálito das multidões
em vez
olha eu aqui
pondo sal
nesta sopa rala
que mal vai dar para dois
o paulo leminski
é um cachorro louco
que deve ser morto
a pau a pedra
a fogo a pique
senão é bem capaz
o filha da puta
de fazer chover
em nosso piquenique
acordei bemol
tudo estava sustenido
sol fazia
só não fazia sentido
nunca quis ser
freguês distinto
pedindo isso e aquilo
vinho tinto
obrigado
hasta la vista
queria entrar
com os dois pés
no peito dos porteiros
dizendo pro espelho— cala a boca
e pro relógio
— abaixo os ponteiros
quando eu tiver setenta anos então
vai acabar esta adolescência
vou largar da vida louca
e terminar minha livre docência
vou fazer o que meu pai quer
começar a vida com passo perfeito
vou fazer o que minha mãe deseja
aproveitar as oportunidades
de virar um pilar da sociedade
e terminar meu curso de direito
então ver tudo em sã consciência
quando acabar esta adolescência
um dia desses quero ser
um grande poeta inglês
do século passado
dizeró céu ó mar ó clã ó destino
lutar na índia em 1866
e sumir num naufrágio clandestino
todo bairro tem um louco
que o bairro o trata bem
só falta mais um pouco
para eu ser tratado também
vendi meus filhos
a uma família americana
eles tem carro eles tem grana
eles tem casa a grama é bacana
só assim eles podem voltar
e pegar um sol em Copacabana
bom dia poetas velhos
me deixem na boca
o gosto de versos
tão fortes que não farei
dia virá que vos saiba
tão bem que os cite
como quem tê-los
um tanto feitos também
acredite
entre a dívida externa
e a dúvida interna
meu coração comercial
alterna
quando olho nos olhos
sei quando uma pessoa
está por dentro
ou está por fora
quem está por fora
não sustenta um olhar
que demora
diante do meu centro
este poema me olha
ali se Alice ali se visse
quando Alice viu e não disse
se ali Alice dissesse
quanta palavra veio
e não desce
ali bem ali
dentro da Alice
só Alice com Alice
ali se parece
Paulo Leminski
desagosto
noutro dia um cão raivoso
espumando versos pela boca,
disse sol à nuvem louca
e o inverno inverso, rigoroso,
fez-se ainda mais intenso!
punhal de gelo na carne pouca,
que racha, sangra e estanca
entre a pele e a roupa.
mas, o andarilho lindo e asqueroso,
como brilho de amor, imenso,
ainda trilha as ruas sujas
nas cidades do que eu penso.
rodrigo mebs
http://frutafarta.blogspot.com/
A LUZ DESPOSSUÍDA
A luz
as luzes
esperado encontro da visão
e o objeto visto
avistado
iluminado
no instante
em que a razão
cede ao impulso
retorno
como pedra bruta
na terra revolvida
do acariciar da luz
sobre o corpo
a luz do amanhecer
transporta ao início
em fotossíntese.
(Pedro Du Bois, A LUZ DESPOSSUÍDA)
http://pedrodubois.blogspot.com
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Uma campanha da Nação Goytacá em prol
do Hospital João Vianna – breve mais detalhes.
Lançamento dia 26 setembro - 20:00h
Taberna D Tutty - Rua das Palmeiras, 13
Congresso Brasileiro de Poesia
De 5 a 10 Outubro 2009
Bento Gonçalves – Rio Grande do Sul
maiores informações: adebach@gmail.com
May interpeta Artur Gomes – filme de Jiddu Saldanha
Tão Pimenta Tão Petróleo =filme de Artur Gomes
Bolero Blue
beber desse conhac em tua boca
para matar a febre nas entranhas
entre/dentes
indecente é a forma que te como
bebo ou calo
e se não falo quando quero
na balada ou no bolero
não é por falta de desejo
é que a fome desse beijo
furta qualquer outra palavra presa
como caça indefesa
dentro da carne que não sai
arturgomes
nação goytacá – presidente
http://goytacity.blogspot.com/
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Entra amor
esta sala tem as tuas medidas
ninguém mais poderia
nunca ocupá-la
Teu nome está escrito
nas invisíveis paredes
que retém o ardente fogo
que emana das letras
do nome que eu semento
e cultivo
em minha alma: O teu nome
Entra e sai livremente
como se jamais portas
fossem inventadas
Quero ser para ti um templo
sem limites
sem regras
que não sejam as tuas próprias
Entra
e se queres
profana-me
pois tu és aqui
o único Deus.
Concha Rousia
NADA
é o que
parece
neste
RIO
que me
apetece
Jaciara
SOBRE UVAS
Esbagaço a uva
esmago o grão
devolvo a casca ao solo.
Agradeço o sumo
e me despeço
em cálices de adivinhações.
Deixo amadurecer o grão.
Fermentado. Ensolarado
adocica o sentido
contraditório da urgência.
Esbagaço o corpo e dedico
o tempo a retirar
o espaço entre os grãos.
Pedro Du Bois, inédito
http://pedrodubois.blogspot.com/
outros poemas:
http://valeemversos.blogspot.com/
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
o que é que mora
em tua boca Bia
um Deus um anjo
ou muitos dentes claros
como os olhos do diabo
e uma estrela como guia
?
o que é que arde
em tua boca Bia
azeite sal pimenta e alho
résteas de cebola
carne crua do k ralho
um cheiro azedo de cozinha
tua boca é como a minha
?
o que é que pulsa
em tua boca Bia
mar de eternas ondas
que covardes não navegam
rios de águas sujas
onde os peixes se apagam
?
ou um fogo
cada vez mais Dante
como este em minha boca
de poeta/delirante
nesta noite cada vez mais dia
em que acendo os meus infernos
em tua boca Bia
?
artur gomes
http://multiartecultura.blogspot.com
ENGENHOS
O amor
é doce
como o céu da sacarose
da mais pura linhagem.
O amor
é doce
como o mel da sacanagem
da mais puta overdose
que o produziu.
O amor
é acaso.
(ocasos, arrebóis
nada tem
nada com isso).
O amor
é um caso
flagrante
triturado a todo
caldo,
trucidado a
todos-os-dias
por nossas almas
e corpos
diletantes.
marco valença.
http://olhonolho.blogspot.com/
Boca do Inferno
Jura Secreta 14
eu te desejo flores lírios brancos girassóis
rosas vermelhas margaridas
tudo quanto pétala
asas estrelas borboletas
alecrim bem-me-quer e alfazema
eu te desejo emblema
deste poema desvairado
com teu cheiro
teu perfume teu suor teu sabor tua doçura
e na mais santa loucura
declarar-te amor até os ossos
eu te desejo e posso
palavrArte até a morte
enquanto a vida nos procura
Artur Gomes
Nação Goytacá – presidente
http://goytacity.blogspot.com/
eu te penetro
em, nome o do pai
do filho
do espírito santo
amém
não te prometo
em nome
de ninguém
terra,
antes que alguém morra
escrevo prevendo a morte
arriscando a vida
antes que seja tarde
e que a língua da minha boca
não cubra mais tua ferida
entre/aberto
em teus ofícios
é que meu peito de poeta
sangra ao corte das navalhas
e minha veia mais aberta
é mais um rio que se espalha
amada de muitos sonhos
e pouco sexo
deposito a minha boca
no teu cio
e uma semente fértil
nos teus seios
como um rio
o que me dói é ter-te
devorada por estranhos olhos
e deter impulsos
por fidelidade
ó terra incestuosa
de prazer e gestos
não me prendo ao laço
dos teus comandantes
só me enterro à fundo
nos teus vagabundos
com um prazer de fera
e um punhal de amante
minha terra é de senzalas tantas
enterra em ti milhões de outras esperanças
soterra em teus grilhões a voz que tenta
- avança – plantada em ti
como canavial que a foice corta
mas cravado em ti me ponho a lua
mesmo sabendo o – vão –
estreito em cada porta
usina
mói a cana
o caldo e o bagaço
usina
mói o braço
a carne o osso
usina
mói a fruta
o sangue e o caroço
tritura suga torce
dos pés até o pescoço
e do alto da casa grande
os donos do engenho controlam:
o saldo e o lucro
arturgomes
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sexta-feira, 28 de agosto de 2009
“ come chocolate menina come chocolate
e não há mais metafísica no mundo
do que comer chocolate’
fernando pessoa
amo esta mulher
que me lembe em chocolate
como menina travessa
me levando ao cheque mate
na subida da brigadeiro
com avenida luiz antônio
me arrastando na augusta
e o que me custa
dar-te-me em brigadeiro
com gosto de beijos na boca
agora que me chamam
o louco da paulista
e nem Oswald sequer eu sou
Mário muito menos
Itamar um tanto quase
Edvaldo mais ainda
cão das periferias
com essa voragem vadia
em dia de aniversário
e essa mulher me invade
com seu desejo de doce
e se poeta eu não fosse
ou mesmo se fosse um padre
rasgaria toda batina
como esse fogo me rasga
e a levaria pra casa
de brigadeiros da esquina
por todas honras de um vate
e lambuzaria a menina
com meus dedos de chocolate
Artur Gomes
http://multiartecultura.blogspot.com/
domingo, 23 de agosto de 2009
imbuir-me
na loucura
nunca mais à imbuia
ir
embuir-me
no esquecimento
e à imbuia partir
embuir-me
na coragem
de imbuia não
sentir
imbuir-me na lembrança
em imbuia
finir
Jaciara S.
Memorial das Laranjeiras
o livro e tua pele de sombras
atravessa o túnel do tempo
com a tua carcaça sem alma
vejo teus olhos acesos
e sonho o nome do que vejo
verlaine talvez nos seguisse
parasse o trem no momento
santa úrsula e santa bárbara
dormem dentro da pedra
ao lado do palácio
bem perto do perigo
passeiam por trás das memórias
oxossi que nos proteja
por estes ossos de fedra
em cada prece que eu reze
para encantar as serpentes
para esquecer o que seja
na tua boca sem beijo
por quantos e-mails postados
no livro o nosso infinito
do antes agora depois
arturgomes
http://multiartecultura.blogspot.com/
Jura secreta 84
não estando aqui
mas como se estivesse
e esse poema fosse fruto
uva manga pêra pêssego
em tua pele de seda
fosse setembro já vindo
outubro que nos espera
palavra espora ou espuma
em tuas mãos como plumas
em tua língua de púrpuras
quando me fala do agora
do corpo que treme de febre
ou grita paixão entre os poros
e salta saudade entre os pêlos
como se fosse esta tarde
o dia em que conhecemos
um outro outubro lá dentro
das veias e vivas memórias
de azul vestida de rendas
na sala eu te olhava de longe
depois te peguei pelos braços
e poemas falei bem de perto
na tua boca me via
dentro os teus olhos pulsavam
peguei tuas mãos que tremiam
e o pulso já pela garganta
este poema uma planta
em tua carne sedenta
de águas cervejas de vinhos
e nestas linhas te bebo
como voraz passarinho
arturgomes
Nação Goytacá
http://goytacity.blogspot.com/
LENTE RETRATISTA
Quando a idéia não é tua
Nem tão minha
Menos mal
Vira idéia iluminada
Vira coisa canibal
Vira quadro na parede
Fome emoldurada
Outra sede surreal
Vira santa ceia
Réstia de breu
Que se ateia
Vira fogo e clareia
Sol deserto
Mar à vista
Avião que o ar
Tira da pista
Vira nau de água
Fina estampa escafandrista
Vira imagem concretista
Visagem
Na idéia de miragem
Nossa lente retratista.
Renato Gusmão
o poeta me viu
bastou um olhar
e pode ver
a mola mestra
da aprendiz
que sou
a escolha que fiz
no avesso e apesar
da sorte adversa
de não pesar
de ser feliz
poeta é quem vê
o que não é de dizer
e ainda assim
diz
Alice Ruiz

Em Assembléia realizada na tarde do último sábado dia 22 de agosto de 2009, na Rua das Palmeiras 13, em Campos dos Goytacazes, a Associação de Arte e Cultura Esporte e Lazer, n Nação Goytacá, elegeu a sua primeira Diretoria para um mandado de 2 anos de acordo com o seu Estatuto.
Terminada a Assembléia a Diretoria foi empossada e o Caldeirão Cultural rolou pela
madrugada a dentro na Taberna D Tutty, com as Bandas Eixo Nacional Skate Rock e Evolução da Espécie com intervenções poéticas dos poetas Artur Gomes e Adriano Moura
Diretoria Eleita
A primeira Diretoria da Nação Goytacá está assim constituída:
Presidente - Artur Gomes
Vice Presidente – Romualdo Braga
Secretária – Aucilene Freitas
Segunda Secretária – Adriana Medeiros
Tesoureira – Indrid de Mello Monteiro
Conselho Fiscal
Titulares:
Wellington Cordeiro
Alexandro Florentino
Maurício D Tutty
Suplentes:
Luiz de Souza Ribeiro Filho
Márcio de Aquino
Álvaro de Siqueira Manhães
Além da Diretoria Executiva, dentro das atribuições que o Estatuto da ONG Nação Goytacá confere ao seu Presidente, Artur Gomes, nomeou outros sócios fundadores, nas seguintes funções:
Diretor de Patrimônio - Harlem Pinheiro
Diretor Cultural – Adriano Moura
Diretor de Arte – Wellington Cordeiro
Diretor de Esporte – Water da Silva Klein
Diretor de Comunicação – Vítor Menezes
Diretora de Educação e Pesquisa – Vera Vasconcellos
Diretoras de Ações Sociais – Loana Rios e Mariângela Dias
Diretor Jurídico – Fernando M. Silva
terça-feira, 18 de agosto de 2009
o amor
não e apenas um nome
que anda por sobre a pele
um dia falo letra por letra
no outro calo fome por fome
e que a pele do teu nome
consome a flor da minha pele
cravado espinho na chaga
como marca cicatriz
eu sou ator ela esfinge
clarisse/beatriz
assim vivemos cantando
fingindo que somos decentes
para esconder o sagrado
em nosso profanos segredos
se um dia falta coragem
a noite sobra do medo
na sombra da tatuagem
sinal enfim permanente
ficou pregando uma peça
em nosso passado presente
o nome tem seus misterios
que se esconde sob panos
o sol e claro quando nao chove
o sal e bom quando de leve
para adoçar desenganos
na língua na boca na neve
o mar que vai e vem
não tem volta
o amor e a coisa mais torta
que mora lá dentro de mim
teu ceu da boca e a porta
onde o poema não tem fim
artur gomes
http://poeticasfulinaimicas.blogspot.com/
Vídeo filmado em Bento Gonçalves com a participação de Érica Ferri. trilha sonora de Zeca Baleiro sobre poema de Salgado Maranhão
domingo, 9 de agosto de 2009
olhos nos olhos
olhos líquidos
olhos secos
olhos doces
olhos salgados
olhos de areia
olhos nos óleos
olhos murchos
de peixe morto
olhos de sereia
olhos podres
olhos vivos
olhos que olhos
que me olhos
olhos de gato
olhos da noite
olhos de lince
olhos de águia
olhos de presa
olhos de medo
olhos de lágrimas
olhos míopes
hipermétropes
olhos estrábicos
olhos de vidro
olhos com lentes
olhos tristes
olhos contentes
olhos de sim
olhos de não
olhos da lei
olhos dos homens
olhos de deus
olhos de vento
olhos de furacão
olhos acesos
olhos apagados
olhos de santo
olhos de pecado
olhos serenos
olhos chapados
olhos raivosos
olhos quentes
olhos gélidos
olhos polares
olhos meus
olhos mais
olhos distintos
de tão iguais
olhos ausentes
olhos de gente
olhos azuis
olhos verdes
olhos castanhos
olhos negros
brancopacos
olhos cegos olhos vendo
custam os olhos
os olhos da cara
os olhos do rosto
os olhos do resto
os olhos do reto
os olhos do cu.
rodrigo mebs.
http://frutafarta.blogspot.com/
Não me procures ali Onde os vivos visitam Os chamados mortos. Procura-me Dentro das grandes águas Nas praças Num fogo coração Entre cavalos, cães, Nos arrozais, no arroio Ou junto aos pássaros Ou espelhada Num outro alguém, Subindo um duro caminho Pedra, semente, sal Passos da vida. Procura-me ali. Viva.
Hilda Hilst
in Da morte, Odes Mínimas
terça-feira, 4 de agosto de 2009
porventura alivia
o mórbido consórcio
Versátil fraternidade
Incesto precauto a desvanecer,
Devanear
Volúvel aceno em vão
desiderium
As voltas com o despovoado
vagamundear
Em meio a sonâmbulos
insones, insanos sanados
Instável vagido
Ímpia compreensão
Ao vazio que a tudo detém
mover-me
Minudenciar
o evanescente avantesma
avaro de si
Jaciara S.
Ilha
Tanto pra ir
como pra voltar
sempre o mar
a me contornar.
Sou ilha,
entre nós,
só há água,
sem trilha.
Tanto faz
como tanto fez,
aqui jaz
imersa à minha tez!
Ilha fui,
serei,
eternamente,
me sei!!!
Ada Fraga
Vitória, 26/11/2008.
se eu canto
pouso a língua entre os dentes
rente
onde a saliva espraia
pele espuma arraia
algas de algum mar
distante
ondas de um pulsar
instante
em que 0 sol
nave metal aclara
areia
como se fosse
pele
conchas em tua
boca lua
nua dentro do mar
sereia
o canto
cravado na lua cheia
sangue
pulsante na tua veia
quando
piso na tua praia
arturgomes
http://arturgomesvideopoesia.blogspot.com/
desagosto
noutro dia um cão raivoso
espumando versos pela boca,
disse sol à nuvem louca
e o inverno inverso, rigoroso,
fez-se ainda mais intenso!
punhal de gelo na carne pouca,
que racha, sangra e estanca
entre a pele e a roupa.
mas, o andarilho lindo e asqueroso,
como brilho de amor, imenso,
ainda trilha as ruas sujas
nas cidades do que eu penso.
rodrigo mebs.
http://frutafarta.blogspot.com/
quase quasar
cravada de dia,
de luz que se irradia
tal qual e quanto antes,
a água clara e grata
cravada de diamantes.
diamantes solares,
serpentes de prata
sobre a face dos mares.
sementes de crepúsculo
enraizadas, contas, colares
no solo maiúsculo das ondas,
e nas tuas mãos em concha,
feito estranho molusco.
quase um quasar, caracol,
a guardar o som do mar
e as manhãs de sal e de sol.
rodrigo mebs.
http://frutafarta.blogspot.com/
LOUCURA
Esqueço a loucura
objeto
e sujeito refletidos
no entrelaçamento do presente:
a dúvida em linhas
enredadas refaz
mentes acostumadas
ao ordinário. A loucura
traduz adágios: o pensamento
exemplifica atrasos e o salto
(inelástico)
da responsabilidade.
Atento ao discurso paradigmático
da sobrevivência lembro a loucura
objeto
e trajeto do sujeito
apático ao faz de conta.
Pedro Du Bois, inédito
outros poemas:
http://pedrodubois.blogspot.com/
http://valeemversos.blogspot.com/
segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Deixei alguém nesta sala que muito se distinguia de alguém que ninguém se chamava, quando eu desaparecia. Comigo se assemelhava, mas só na superfície. Bem lá no fundo, eu, palavra, não passava de um pastiche. Uns restos, uns traços, um dia, meus tios, minhas mães e meus pais me chamarem de volta pra dentro, eu ainda não volte jamais. Mas ali, logo ali, nesse espaço, lá se vai, exemplo de mim, algo, alguém, mil pedaços, meio início, meio a meio, sem fim.
Paulo Leminski
[do livro Distraídos Venceremos]
Bananas podres
Como um relógio de ouro o podre oculto nas frutas sobre o balcão (ainda mel dentro da casca na carne que se faz água) era ainda ouro o turvo açúcar vindo do chão e agora ali: bananas negras como bolsas moles onde pousa uma abelha e gira e gira ponteiro no universo dourado (parte mínima da tarde) em abril enquanto vivemos
E detrás da cidade (das pessoas na sala ou costurando) às costas das pessoas à frente delas à direita ou (detrás das palmas dos coqueiros alegres e do vento) feito um cinturão azul e ardente o mar batendo o seu tambor queda quitanda não se escuta Que tem a ver o mar com estas bananas já manchadas de morte? que ao nosso lado viajam para o caos e azedando e ardendo em água e ácidos a caminho da noite vertiginosamente devagar? Que tem a ver o mar com esse marulho de águas sujas fervendo nas bananas? com estas vozes que falam de vizinhos, de bundas, de cachaça? Que tem a ver o mar com esse barulho? Que tem a ver o mar com esse quintal? Aqui, de azul, apenas há um caco de vidro de leite de magnésia (osso de anjo) que se perderá na terra fofa conforme a ação giratória da noite e dos perfumes nas folhas da hortelã Nenhum alarde nenhum alarme mesmo quando o verão passa gritando sobre os nossos telhados Pouco tem a ver o mar com este banheiro de cimento e zinco onde o silêncio é água: uma esmeralda engastada no tanque (e que solta se esvai pelos esgotos por baixo da cidade) Em tudo aqui há mais passado que futuro mais morte do que festa: neste banheiro de água salobra e sombra muito mais que de mar há de floresta muito mais que de mar há de floresta Muito mais que de mar neste banheiro há de bananas podres na quitanda e nem tanto pela água em que se puem (onde um fogo ao revés foge no açúcar) do que pelo macio dessa vida de fruta inserida na vida da família: um macio de banho às três da tarde Um macio de casa no Nordeste com seus quartos e salas eu banheiro que esta tarde atravessa para sempre Um macio de luz ferindo a vida no corpo das pessoas lá no fundo onde bananas podres mar azul fome tanque floresta são um mesmo estampido um mesmo grito
E as pessoas conversam na cozinha ou na sala contam casos e na fala que falam (esse barulho)tanto marulha o mar quanto a floresta tanto fulgura o mel da tarde - o podre fogo - como fulgea esmeralda de água que se foi
Só tem que ver o mar com seu marulho com seus martelos brancos seu diurno relâmpago que nos cinge a cintura?
O mar só tem a ver o mar com este banheiro com este verde quintal com esta quitanda só tem a ver o mar com esta noturna terra de quintal onde gravitam perfumes e futuros o mar o mar com seus pistões azuis com sua festa tem a ver tem a ver com estas bananas onde a tarde apodrece feito uma carniça vegetal que atrai abelhas varejeiras tem a ver com esta gente com estes homens que o trazem no corpo e até no nome tem a ver com estes cômodos escuros com esses móveis queimados de pobreza com estas paredes velhas com esta pouca vida que na boca é riso e na barriga é fome
No fundo da quitanda na penumbra ferve a chaga da tarde e suas moscas; em torno dessa chaga está a casa e seus fregueses o bairro as avenidas as ruas os quintais outras quitandas outras casas com suas cristaleiras outras praças ladeiras e mirantes donde se vê o mar nosso horizonte
Ferreira Gullar
PARA UM NEGRO
para um negro
a cor da pele
é uma sombra
muitas vezes mais forte
que um soco.
para um negro
a cor da pele
é uma faca
que atinge
muito mais em cheio
o coração.
EU, PÁSSARO PRETO
eu,
pássaro preto,
cicatrizo
queimaduras de ferro em brasa,
fecho o corpo de escravo fugido
e
monto guarda
na porta dos quilombos.
NEGRO FORRO
minha carta de alforria
não me deu fazendas,
nem dinheiro no banco,
nem bigodes retorcidos.
minha carta de alforria
costurou meus passos
aos corredores da noite
de minha pele.
FAÇA SOL OU FAÇA TEMPESTADE
faça sol ou faça tempestade,
meu corpo é fechado
por esta pele negra.
faça sol ou faça tempestade
meu corpo é cercado
por estes muros altos,
— currais
onde ainda se coagula
o sangue dos escravos.
faça sol
ou faça tempestade,
meu corpo é fechado
por esta pele negra.
Adão Ventura
Jura secreta 82
tudo que eu quero em outubro
deixar que flua a semana
como flor de lotus que brota
quando se rompe a semente
ou minha língua entre dentes
em tua carne de seda
em tua boca veludo
neste poema nem tudo
cabe de mais abstrato
por tão concreto
que faloco
mo se em meu corpo
estivesse
e jura apenas não fosse
a tua língua tão doce
beijar meus lábios quisesse
artur gomes
http://poeticasfulinaimicas.blogspot.com/
CarNAvalha Gumes
um tiro na cabeça duas facadas na boca do estômago dois tiros no pé quatro tiros no peito e sete nos braços mataram com um balaço esquartejaram o esqueleto no verso do obscuro como se ainda vivêssemos terríveis anos de chumbo e levaram o bumbo pra praça tambores chocalhos cornetas os bobos da corte coitados inocentes palhaços sem graça apenas sorriso amarelo diante a foice o martelo pra obediência da rainha do império do faz de conta nos jardins do mal me quer que não sabem quem foi paulo leminski nem nunca leram charles baudelaire
federico DuBoi
http://federicobaudelaire.blogspot.com/
GO BACK
Você me chama Eu quero ir pro cinema você reclama meu coração não contenta você me ama mas de repente a madrugada mudou e certamentea quele trem já passou e se passou passou daqui pra melhor,foi! Só quero saber do que pode dar certo não tenho tempo a perder
você me pede quer ir pro cinema agora é tarde se nenhuma espécie de pedido eu escutar agora agora é tarde tempo perdido mas se você não mora, não morou é porque não tem ouvido que agora é tarde- eu tenho dito -o nosso amor michou(que pena) o nosso amor, amor e eu não estou a fim de ver cinema (que pena)
Torquato Neto
BANANAS PODRES 4
É a escuridão que engendra o mel ou o futuro clarão no paladar (como quase luz na saliva, e mais: em alguma parte da vida a escuridão engendra o olhar no corpo ansioso de abrir-se à luz)
e o mel que aflui da noite da polpa (e feito dessa noite) fluido podre da polpa da noite do podre(sob a casca) tal como um suicídio ou um alarme ou abafada rotação nas moléculas (e igual que no cosmos cintila) uma balbúrdia de ácidos negros inventando um quase alvorecer na quitanda.
E pense bem: também um tumor é um ponto intenso da matéria viva, de alta temperatura como a gestar um astro de pus(assim se engendram os sóis, os sons no vazio abissal) e assim também as vozes do açúcar (um negro lampejo) que assustam os mosquitos (nuvens deles) pairando no ar dos escusos cantos do depósito de frutas nos fundos da quitanda rua da Alegria esquina de Afogados e que faliu e sumiu para sempre daquela esquina e do mundo, a quitanda, bem como seu dono, o falado Newton Ferreira e seus amigos Zé Dedão, o Cantuária e o Elias,todos que poderiam afirmar que sim, de fato as bananas já estavam passadas, quase inteiramente podres aquela tarde e que ali amontoadas num alguidar fermentavam exalando no ar o doce odor de bananas morrendo o que efetivamente ocorreu na cidade de São Luís do Maranhão ao norte do Brasil por volta de 1940... E foda-se.
FERREIRA GULLAR
PROFISSÃo DE FEBRE
quando chove, eu chovo, faz sol, eu faço, de noite, anoiteço, tem deus, eu rezo, não tem, esqueço, chove de novo, de novo, chovo, assobio no vento, daqui me vejo, lá vou eu, gesto no movimento
paulo leminski
Rural
Plural de boi:
boiada
boiada boi
bovino boi
nada bóia
boi, boiágua
escoa
do campo
pro canto
boicântaro
se amolda
deságua
e crava
no ar
sua cara:
chifre de chofre
rompe, o barro
boicarro.
Armando Freitas Filho