terça-feira, 30 de novembro de 2010
Cantinho do Poeta Quartas Culturais
Pontal
Dia 1 dezembro 21 horas
Encenação teatral com poemas de
Aluysio Abreu Barbosa, Adriana Medeiros,
Antônio Roberto(Kapi) e Artur Gomes.
com Artur Gomes, Yvi Carvalho e Sidney Navarro
Direção: Kapi
Local: Cantinho do Poeta
Rua Cardoso de Melo, 42 – Campos dos Goytacazes-RJ
a flor da pele – pontal foto grafia
tucanos querem você fora da internet
leia aqui
texto contundente de Laerte Braga
sobre segurança pública no Rio
leia aqui:
Pontal Foto.Grafia
Aqui,
redes em pânico
pescam esqueletos no mar
esquadras – descobrimento
espinhas de peixe convento
cabrálias esperas relento
escamas secas no prato
e um cheiro podre no
AR
caranguejos explodem mangues em pólvora
Ovo de Colombo quebrado
areia branca inferno livre
Rimbaud - África virgem –
carne na cruz dos escombros
trapos balançam varais
telhados bóiam nas ondas
tijolos afundando náufragos
último suspiro da bomba
na boca incerta da barra
esgoto fétido do mundo
grafando lentes na marra
imagens daqui saqueadas
Jerusalém pagã visitada
Atafona.Pontal.Grussaí
as crianças são testemunhas:
Jesus Cristo não passou por aqui
Miles Davis fisgou na agulha
Oscar no foco de palha
cobra de vidro sangue na fagulha
carne de peixe maracangalha
que mar eu bebo na telha
que a minha língua não tralha?
penúltima dose de pólvora
palmeira subindo a maralha
punhal trincheira na trilha
cortando o pano a navalha
fatal daqui Pernambuco
Atafona.Pontal.Grussaí
as crianças são testemunhas:
Mallarmè passou por aqui
bebo teu fato em fogo
punhal na ova do bar
palhoças ao sol fevereiro
aluga-se teu brejo no mar
o preço nem Deus nem sabre
sementes de bagre no porto
a porca no sujo quintal
plástico de lixo nos mangues
que mar eu bebo afinal?
arturgomes
leia mais aqui http://palavras-diversas.blogspot.com
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
queimando em mar de fogo

é sempre no presente aquele duplo,
é sempre no futuro aquele pânico.
É sempre no meu tédio aquele aceno.
É sempre no meu sono aquela guerra.
Sempre na minha firma a antiga fúria.
Sempre no mesmo engano outro retrato.
É sempre nos meus lábios a estampilha.
É sempre no meu não aquele trauma.
Sempre dentro de mim meu inimigo.
E sempre no meu sempre a mesma ausência".
terça-feira, 23 de novembro de 2010
O poeta pede a seu amor que lhe escreva

may com fome de livros - foto: artur gomes
em vão espero tua palavra escrita
e penso, com a flor que se murcha,
que se vivo sem mim quero perder-te.
O ar é imortal. A pedra inerte
nem conhece a sombra nem a evita.
Coração interior não necessita
o mel gelado que a lua verte.
Porém eu te sofri. Rasguei-me as veias,
tigre e pomba, sobre tua cintura
em duelo de mordiscos e açucenas.
Enche, pois, de palavras minha loucura
ou deixa-me viver em minha serena
noite da alma para sempre escura.
Garcia Lorca.
cinema

elegante
o dia des
luz-se
apesar
da chuva
a regurgitar
incertezas
nos telhados
apesar da água
a roer os passos
nas calçadas
automóveis passam
motos passam
pessoas passam
a vida
...
parabólicas
postes pequenos pássaros
velam o dia
que zarpa
a sombra
que aporta
e nos umbrais
de tantas portas
em silêncio
a solidão apodrece
sob o capacho
Fernando Freire
Caldas Novas, 20.11.2010
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
sarau palavras diversas
Local: Cantinho do Poeta
Campos dos Goytacazes-RJ
O que a grande mídia não.diz
Leia aqui http://goytacity.blogspot.com
Airton Ortiz fala sobre Havana
Aqui http://artur-gomes.blogspot.com
Quando você for embora
vídeo com Artur Gomes interpretando poemas de
Ferreira Gullar na abertura do XVIII Congresso
Brasileiro de Poesia em Bento Gonçalves
tropicalirismo
girassóis pousando
nu teu corpo
festa
beija-flor seresta
poesia fosse
esse sol que emana
do teu fogo farto
lambuzando a uva
de saliva doce
arturgomes
http://pelegrafia.blogspot.com
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Biafra hoje no Sesc Campos

Bienal do Livro de Campos
Artur Gomes e Fabrício Carpinejar
Mediador: Dedé Muylaert
Leia mais aqui: http://artur-gomes.blogspot.com/
Isadora
cato os vestígios do tempo
onde teus olhos bailarina olham
um gato passeia no teu colo
e na vidraça o giz derrama poesia
escritas com punhos de ontem
em tua cidade de serras
onde teus braços bailarina
sustentam tuas mãos
que colhem uvas
coloco águas de chuva
para que teus vinhedos não cessem
esteja sempre em meus caminhos
e deles brotem da flor o fruto sagrado
e os teus segredos guardados
entre os teus lábios de vinho
arturgomes
http://musadaminhacannon.blogspot.com/
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
ESTÁTUA POLÍTICA
pálida
e a estátua
estática
e a estátua
polêmica
e a estátua
bêbada
e a estátua
cética
e a estátua
ética
e a estátua
pública
e a estátua
trêmula
e a estátua
vítima
e a estátua
de repente
nem se movia
e ria
do povo que passava
e a estátua
política
nem se mexia
(Renato Gusmão)
dos que predam e dos que são predados
ele
me pediu cinqüenta centavos
eu
dei a ele dois reais
quando lhe estendi a mão
sorriu um sorriso cariado
de submissão
ele
me reconheceu
eu
o reconheci
há cinco anos atrás
aluno da 4ª. série
cumprindo medida
sócio
educativa
quando conversava
mantinha a cabeça baixa
a voz num sussuro
quinze anos
e quase analfabeto
quase menino
quase homem
quase gente
Quasímodo
eu
e ele
havíamos mudado
o mesmo rio do tempo
havia nos banhado
nos envolvido
e transformado
e ao nosso redor
todos dormiam
o sono de Caim
e espinhos devoravam
as pétalas do jardim
nenhum solo de Coltrane
ou rima do Facção Central
serviria como trilha sonora
para o Desencanto
daquela hora
daquele instante
em que a esperança
se tornou figurante
não era a Pedra
no caminho de Drummond
não era o Bicho
de Bandeira
era a miséria
tremulando sua bandeira
era uma vida
que descia na ladeira
e falava comigo
me afastando
de meu umbigo
Fernando Freire
terça-feira, 2 de novembro de 2010
onde estará você agora

esse poema não secreto
muito menos sagrado
mesmo se jura fosse
entre a face de fogo
e os teus olhos beatriz
por onde leio teu livro
no sangue da tua face
a flor na pele de seda
em fragmentos de Dante
as letras sobre o papel
e teus poemas transbordam
rios entrando meus poros
por toda língua delírios
extravasa irrompe penetra
esse poema não secreto
feito em teus olhos beatriz
tensão dos músculos
cravados sobre a palavra
onde pulsa, a cada lavra
a tua coisa mais plena
e esta jura serena
como uma missa profana
e os cabelos da noite cigana
o canto do amor entre a boca
e o mar que em teus seios agita
a febre que queima em meus dedos
e na boca o teu nome palpita
girassóis pousando
nu teu corpo
festa
beija-flor seresta
poesia fosse
esse sol que emana
do teu fogo farto
lambuzando a uva
de saliva doce
arturgomes
http://artur-gomes.blogspot.com/
domingo, 31 de outubro de 2010
o que a grande mídia não diz
leia aqui: http://goytacity.blogspot.com/
As flores do bem-me-quer
gaivotas perseguem peixes
quando estão com fome
a musa da minha janela
depois da prova de física
desfolha Charles Baudelaire
tem um jardim imaginário
no quintal desta metáfora
e um mar de algaravias
dentro dos olhos dela
percebo a flor da infância
bem-me-quer em teu cabelos
peixes que não são nuvens
girassóis fosse miragens
na veia algas marítimas
e uma fração logarítima
ainda por resolver
arturgomes
http://pelegrafia.blogspot.com/
a palavra múltipla plural e solta
pelos céus da boca
sarcástica cínica amorosa
de drummond a guimarães rosa
de ferreira gullar a torquato neto
a pala/lavra do leminski
como um arquiteto
que constrói a própria casa
com o furor do fogo em brasa
com cimento tijolo argamassa
e que a massa compreenda
que a massa que transforma o pão
é a mesma que alimenta a massa
que o homem arquiteta
e a praça é o lugar pro seu delírio
a lira que mora dentro do poeta
jura secreta 121
ela me mantém
à distância dos meus braços
que mesmo esticados
não conseguem alcançá-la
no quarto do hotel eu tenho a fala
e digo
desejo o espaço do teu ventre
para proclamar os meus instintos
não minto
eu sinto
muito
que pena
se ainda não conseque
provar dos meus pecados
e se esconde entre hóstia e promessas
eu tenho pressa
quero engravidar-te de saliva
na língua
que escorre pelos anos
abrindo fenda em tuas costas
http://juras-secretas.blogspot.com/
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
palavras diversas
XVIII CONGRESSO BRASILEIRO
DE POESIA HOMENAGEIA
FERREIRA GULLAR
Pela primeira vez nos últimos quinze anos
o Congresso Brasileiro de Poesia
não é realizado na primeira semana
de outubro e sim, no final do mês.
A edição deste ano acontece de 25 a 29,
na cidade de Bento Gonçalves e
homenageará os 80 anos de Ferreira Gullar.
Leia mais aqui http://artur-gomes.blogspot.com/
Esfinge
As flores do bem-me-quer
gaivotas perseguem peixes
quando estão com fome
a musa da minha janela
depois da prova de física
desfolha Charles Baudelaire
tem um jardim imaginário
no quintal desta metáfora
e um mar de algaravias
dentro dos olhos dela
percebo a flor da infância
bem-me-quer em teu cabelos
peixes que não são nuvens
girassóis fosse miragens
na veia algas marítimas
e uma fração logarítima
ainda por resolver
arturgomes
http://pelegrafia.blogspot.com/
Palavras Diversas
Artur Gomes e Mayara Pasquetti estão completando 4 anos de parcerias no palco, estreaiaram em 2006 em Bento Gonçalves, com um recital em homenagem ao centenário do porta gaúcho Mário Quintana. Este ano lá mesmo na serra gaúcha na capital nacional do vinho, durante a programação do XIII Congresso Brasileiro de Poesia, eles estarão mais uma vez dialogando poeticamente com o recital Palavras Diversas, que além da poesia do prório Artur, a dupla faz uma viagem pela poesia de Arnaldo Antunes, Eliakin Rufino, Mário Faustino, Ferreirta Gullar e Torquato Neto.
Se for Poema Fogo do Desejo, neste vídeo filmado por Jiddu Saldanha, eles estão no Parque das Ruínas em Santa Teresa Rio de Janeiro fazendo o que mais gostam: falando peosia.
segue abaixo alguns dos poemas que fazem parte do repertório do Recital Diversas Palavras:
NÃO HÁ VAGAS
O preço do feijão não cabe no poema. O preço do arroz não cabe no poema. Não cabem no poema o gás a luz o telefone a sonegação do leite da carne do açúcar do pão. O funcionário público não cabe no poema com seu salário de fome sua vida fechada em arquivos. Como não cabem no poema o operário que esmerila seu dia de aço e carvão nas oficinas escuras
- porque o poema, senhores está fechado: “não há vagas”
Só cabem no poema o homem sem estômago a mulher de nuvens a fruta sem preço
O poema senhores, não fede nem cheira
TRADUZIR-SE
Uma parte de mim é todo mundo: outra parte é ninguém: fundo sem fundo. uma parte de mim é multidão:outra parte estranheza e solidão. Uma parte de mim pesa, pondera: outra parte delira. Uma parte de mim é permanente: outra parte se sabe de repente. Uma parte de mim é só vertigem: outra parte,l inguagem. Traduzir-se uma parte na outra parte - que é uma questão de vida ou morte -será arte?
Cantiga para não morrer
Quando você for se embora, moça branca como a neve, me leve. Se acaso você não possa me carregar pela mão, menina branca de neve, me leve no coração. Se no coração não possa por acaso me levar, moça de sonho e de neve, me leve no seu lembrar. E se aí também não possa por tanta coisa que leve já viva em seu pensamento, menina branca de neve, me leve no esquecimento.
O mundo que venci deu-me um amor
O mundo que venci deu-me um amor,
Um troféu perigoso, este cavalo
Carregado de infantes couraçados.
O mundo que venci deu-me um amor
Alado galopando em céus irados,
Por cima de qualquer muro de credo,
Por cima de qualquer fosso de sexo.
O mundo que venci deu-me um amor
Amor feito de insulto e pranto e riso,
Amor que força as portas dos infernos,
Amor que galga o cume ao paraíso.
Amor que dorme e treme. Que desperta
E torna contra mim, e me devora
E me rumina em campos de vitória...
Mário Faustino(1930-1962)
ditados populares
sem essa de dizer que a pressa
é inimiga da perfeição
eu sou amigo da pressa
perfeição não me interessa
não me interessa não
o que é perfeito está morto
eu quero o falho o feio o torto
quero os pecados da alma
e as imperfeições do corpo
se a pressa é inimiga da perfeição
e é amiga da mudança
irmã da revolução
boca fechada não entra mosca
mas também não sai palavras
que cala consente quem sente fala
o silêncio pode ser uma kaula
é preciso estar atento
é preciso ter cuidado
uma coisa é ser silêncio
outra é ser silenciado
lei do silêncio não faz sentido
o mundo sem palavas sé quadrado
lei do silêncio não faz meu tipo
o meu estilo é ser articulado
Eliakin Rufino
Boa Vista - Roraima - RO
Um instante
Aqui me tenho
Como não me conheço
nem me quis
sem começo
nem fim aqui me tenho
sem mim
nada lembro
nem sei
à luz presente
sou apenas
um bicho
transparente
____________________
Aprendizado
Do mesmo modo que te abriste à alegria
abre-te agora ao sofrimento
que é fruto dela
e seu avesso ardente.
Do mesmo modo
que da alegria foste
ao fundo
e te perdeste nela
e te achaste
nessa perda
deixa que a dor se exerça agora
sem mentiras
nem desculpas
e em tua carne vaporize
toda ilusão
que a vida só consome
o que a alimenta. _______________________________
ferreira gullar
Socorro alguma alma
mesmo que penada,
me empreste suas penas,
já não sinto amor nem dor,
já não sinto nada.
Socorro alguém me dê um coração,
que esse já não bate nem apanha
Por favor, uma emoção pequena
Qualquer coisa que se sinta
Tem tanto sentimento
deve ter algum que sirva...
As coisas têm peso,
massa, volume, tamanho,
tempo, forma, cor, posição, t
extura, dura-
ção, densidade, cheiro,
valor, consistência, pro-
fundidade, contorno,
temperatura, função, aparência,
preço, destino, idade, sentido.
As coisas não têm paz.
Iluminuras
Pensamento vem de fora
e pensa que vem de dentro,
pensamento que expectora
o que no meu peito penso.
Pensamento a mil por hora,
tormento a todo momento.
Por que é que eu penso agora
sem o meu consentimento?
Se tudo que comemora
tem o seu impedimento,
se tudo aquilo que chora
cresce com o seu fermento;
pensamento dê o fora,
saia do meu pensamento.
Pensamento, vá embora,
desapareça no vento.
E não jogarei sementes
em cima do seu cimento. *
O amor. sem palavras.
Ou. A palavra amor, sem amor.
Sendo amor, ou. A palavra ou.
Sem substituir nem ser substituída por.
Si, a palavra si, sem ser designada
ou gnificada por.
O amor. Entre si e o que se. Chama amor,
como se. Amasse
(esse pedaço de papel escrito amor).
Somasse o amor ao nome amor,
onde ecoa.
O mar, onde some o mar onde soa.
A palavra amor, sem palavras.
arnaldo antunes
Marginália II
Eu, brasileiro, confesso
Minha culpa, meu pecado
Meu sonho desesperado
Meu bem guardado segredo
Minha aflição
Eu, brasileiro, confesso
Minha culpa, meu degredo
Pão seco de cada dia
Tropical melancolia
Negra solidão
Aqui é o fim do mundo
Aqui é o fim do mundo
Aqui é o fim do mundo
Aqui, o Terceiro Mundo
Pede a bênção e vai dormir
Entre cascatas, palmeiras
Araçás e bananeiras
Ao canto da juriti
Aqui, meu pânico e glória
Aqui, meu laço e cadeia
Conheço bem minha história
Começa na lua cheia
E termina antes do fim
Aqui é o fim do mundo
Aqui é o fim do mundo
Aqui é o fim do mundo
Minha terra tem palmeiras
Onde sopra o vento forte
Da fome, do medo e muito
Principalmente da morte Olelê, lalá
A bomba explode lá fora
E agora, o que vou temer?
Oh, yes, nós temos banana
Até pra dar e vender Olelê, lalá
Aqui é o fim do mundo
Aqui é o fim do mundo
Aqui é o fim do mundo
Let's play that
quando eu nasciu
m anjo louco muito louco
veio ler a minha mão
não era um anjo barroco
era um anjo muito louco, torto
com asas de avião
eis que esse anjo me disse
apertando minha mão
com um sorriso entre dentes
vai bicho desafinaro coro dos contentes
vai bicho desafinaro coro dos contentes
let's play that
dessde que eu saí de casa
triuxe a viagem na mão
cravada no meu umbigo
dentro fora assim comigo
minha prórpria condução
todo dia é dia dela
pode ser pode não ser
abro a porta ou a janela
todo dia é diaa D
há urubus no telhado
a carne seca é servida
um escorpião encravado
na sua própria ferida
não escapa
só escapo pela porta de saída
todo dia o mesmo dia
de amar-te a morte morrrer
todo dia mais um dia
menis dia dia D
torquato neto
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
UJS realiza manifesto contra o PIG no Rio
terça-feira, 21 de setembro de 2010
sampleAndo
por enquanto
vou te amar assim em segredo
como se o sagrado fosse
o maior dos pecados originais
e a minha língua fosse
só furor dos canibais
e essa lua mansa fosse faca
a afiar os versos que inda não fiz
e as brigas dde amor que nunca quis
mesmo quando o projeto
aponta outra direção embaixo do nariz
e é mais concreto que a argamassa do abstrato
por enquanto
vou te amar assim adirando o teu retrato
pensando a minha idade
e o que trago da cidade
embaixo as solas dos sapatos
2
o que trago embaixo as solas dos sapatos
é fato. bagana acesa sobra do cigarro
é sarro. dentro do carro
ainda ouço Jimmi Hendrix quando quero
dancei bolero sampleando rock and roll
pra colher lírios
há que se por o pé na lama
a seda pura foto-síntese do papel
tem flor de lótus
nos bordéis Copacabana
procuro um mix da guitarra de Santanna
com os espinhos da Rosa de Noel.
arturgomes
http://blogdabocadoinferno.blogspot.com/
Fulinaimagem
Isdora
onde teus pés bailarina dançam
cato os vestígios do tempo
onde teus olhos bailarina olham
um gato passeia no teu colo
e na vidraça o giz derrama poesia
escritas com punhos de ontem
em tua cidade de serras
onde teus braços bailarina
sustentam tuas mãos que colhem uvas
coloco águas de chuva
para que teus vinhedos não cessem
e deles brotem a flor o fruto sagrado
e os teus segredos guardados
entre os teus lábios de vinho
arturgomes
http://artur-gomes.blogspot.com/
a flor da pele
Viagem interpoética
A lavra da palavra
Porrada llírica
esfinge
o amor não e apenas um nome
que anda por sobre a pele
um dia falo letra por letra
no outro calo fome por fome
é que a pele do teu nome
consome a flor da minha pele
cravado espinho na chaga
como marca cicatriz
eu sou ator ela esfinge
clarisse/beatriz
assim vivemos cantando
fingindo que somos decentes
para esconder o sagrado
em nosso profanos segredos
se um dia falta coragem
a noite sobra do medo
na sombra da tatuagem
sinal enfim permanente
ficou pregando uma peça
em nosso passado presente
o nome tem seus mistérios
que se esconde sob panos
o sol e claro quando não chove
o sal e bom quando de leve
para adoçar desenganos
na língua na boca na neve
o mar que vai e vem não tem volta
o amor e a coisa mais torta
que mora lá dentro de mim
teu céu da boca e a porta
onde o poema não tem fim
artur gomes
http://juras-secretas.blogspot.com/
IMERSÃO
Imerso em águas
mares
reconsidero a permanência
na inconstância
do sal
sobre o corpo: imerso
em águas
doce
na decomposição
do corpo
ao estado
inicial
frágil em minha
permanência.
(Pedro Du Bois, inédito)
http://pedrodubois.blogspot.com/
http://nanquin.blogspot.com/
May interperta artur gomes num filme de Jiddu Saldanha
Jura Secreta 41
porque te amo
e amor não tem pele
nome ou sobrenome
não adianta chamar que ele não vem
quando se quer
porque tem seus próprios códigos
e segredos
mas não tenha medo
pode sangrar pode doer
e ferir fundo
mas é razãode estar no mundo
nem que seja por segundo
por um beijomesmo breve
porque te amo
no sol no sal no mar na neve
Artur Gomes
http://youtube.com/fulinaima
Mário faustino
Jura Secreta 106
ontem sonhei com você noite inteira
teus seios pulsavam em mim
não sei quando então começou
mas sei quando então foi assim
quanto mais pensava dormindo
sabendo meu ser acordado
fizemos amo dois alados
na cama imortal do jardim
os anjos do inferno rezavam
num gozo de nunca ter fim
arturgomes
http://juras-secretas.blogspot.com/
VeraCidade
por quê trancar as portas
tentar proibir as entradas
se já habito os teus cinco sentidos
e as janelas estão escancaradas?
um beija-flor risca no espaço
algumas letras de um alfabeto grego
signo de comunicação indecifrável
eu tenho fome de terra
e esse asfalto sob a sola dos meus pés
agulha nos meus dedos
quando piso na Augusta
o poema dá um tapa na cara da Paulista
flutuar na zona do perigo
entre o real e o imaginário
João Guimarães Rosa Caio Prado
Martins Fontes um bacanal de ruas tortas
eu não sou flor que se cheire
nem mofo de língua morta
o correto deixei na Cacomanga
matagal onde nasci
com os seus dentes de concreto
São Paulo é quem me devora
e selvagem devolvo a dentada
na carne da rua Aurora
Artur Gomes
http://artur-gomes.blogspot.com/
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Sobre pontes que voam
ei s
obre águ
as
per
didas,
e des
cobri
que
já tinh
am s
ido
as p
artes
que
sem
pre
bus
que
i
qu
ando
ando
busc
ando
o in
teiro
desc
ubro
o quan
to me
frag
men
tei
.
.
.
Mauro Veras.
Este poema consta do meu livro “bocadotempo”, de 2001, que será relançado em breve, com algumas atualizações. Ao reler os textos, tive vontade de dividi-los ... espero que gostem!
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Riverdies hoje no Teatro Odisséia
Dia 14 setembro - 21:00h
Teatro Odisséia – Lapa – Rio de Janeiro
http://www.myspace.com/riverdies
O que a grande mídia não diz
leia no blog http://goytacity.blogspot.com
Lipoaspiração com responsabilidadeLeia no blog:
http://mania-de-saude.blogspot.com
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
do silêncio dos poetas

Canção Amiga
Drummond
Que desenhos e rictus na tua cara
Como os frisos veementes dos tapetes antigos.
Que sombrio te tornas se repito
O sinuoso caminho que persigo: um desejo
Sem dono, um adorar-te vívido mas livre.
E que escura me faço se abocanhas de mim
Palavras e resíduos. Me vêm fomes
Agonias de grandes espessuras, embaçadas luas
Facas, tempestade. Ver-te. Tocar-te.
Cordura.
Crueldade.
Hilda Hilst
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
jura secreta in saquarema
meus lábios em teus ouvidos
flechas netuno cupido
a faca na língua a língua na faca
a febre em patas de vaca
as unhas sujas de Lorca
cebola pré sal com pimenta
tempero sabre de fogo
na tua língua com coentro
qualquer paixão re/invento
o corpo/mar quando agita
na preamar arrebenta
espuma esperma semeia
sementes letra por letra
na bruma branca da areia
sem pensar qualquer sentido
grafito em teu corpo despido
poemas na lua cheia
arturgomes
http://musadaminhacannon.blogspot.com
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
fulinaimagem

1
por enquanto
vou te amar assim em segredo
como se o sagrado fosse
o maior dos pecados originais
e a minha língua fosse
só furor dos canibais
e essa lua mansa fosse faca
a afiar os versos que inda não fiz
e as brigas dde amor que nunca quis
mesmo quando o projeto
aponta outra direção embaixo do nariz
e é mais concreto que a argamassa do abstrato
por enquanto
vou te amar assim adirando o teu retrato
pensando a minha idade
e o que trago da cidade
embaixo as solas dos sapatos
arturgomes
http://musadaminhacannon.blogspot.com/
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
A poética de mais e menos
Se posto ao lado da tendência mais comum na recente poesia brasileira, zero ponto zero, de Igor Fagundes, sobressairá porque desfaz a falha polarização que segrega lirismo e cerebralismo (como se um poema lírico fosse elaborado nos pés); se posto ao lado da tradição dos poetas maiores, no Brasil e no Ocidente, ele achará um ambiente cativo porque colhe, com engenho e emoção, o que é mais alardeado em nosso tempo para desmerecer o objeto do alarde, fazendose dentro e fora da época; se posto isolado, o percurso até aqui efetuado pela obra do autor dotao de luz candente, porque é imensa a qualidade que distingue este livro dos três anteriores (os quais já apresentavam pontos plausíveis).
Um fator a dar maior solidez a zero ponto zero é a exibição de um poeta senhor de sua voz, apesar das múltiplas falas.
Confluindo o rigor da técnica com a ausência de maiúsculas, a erudição com temas corriqueiros, Igor Fagundes é tradicional sem ser tradicionalista; é moderno sem ser modernista (já nas epígrafes, assinadas por Heráclito e Paulo Henriques Britto). Trata-se de um poeta a manifestar em seu livro vigorosa captação crítica da realidade numa forma de escrita originalíssima.
O livro realiza, do início ao fim, um expressivo exercício irônico, porque nele tudo obedece a uma rigorosa disposição matemática: “ok, você venceu: há sim uma ordem / intrínseca ao correr, vagar das páginas”, diz “plano cartesiano”.
A maioria dos 65 textos é numerada de -31 a +31, tendo como eixo o “ponto zero”, o que subverte a numeração convencional.
O primeiro e o último texto evidenciam a unidade circular da obra, visto serem identificados com o símbolo do infinito (apondo-se ao primeiro o sinal negativo e ao primeiro, o p o s i t ivo ) .
Apesar do corpo numérico, a razão de ser do livro é denunciar e rejeitar a enganosa e danosa algebrização do viver, seja no âmbito específico do livro –
“de um livro quase todo em formas fixas
espera-se o equilíbrio, a simetria
e como se negasse a própria sina
aponta para o oposto dessa trilha”
– no do sujeito –
“calculados de acertos
meus pecados:
erro-me assim
tão exato”
– e no da existência, em sentido mais amplo –
“e a vida morre quando se dá conta
em matemática, tão certa, falha”.
Ao lado da ironia (aqui entendida em seu sentido original, “questionamento”), destacase uma atividade metalinguística que por toda a extensão do livro reflete acerca de sua natureza, sem nunca cair na gratuidade teórica.
Na seção “positiva” da peça (em que os textos recebem sinal de mais), os poemas-algarismos de zero a nove têm como tema o próprio número que os indica. E um aspecto da grandeza de zero ponto zero (ao lado de sua aguda cosmovisão) é a extrema coesão de todos os seus fatores em todas as suas partes; dessa forma, estes poemas não apenas falam sobre os números intituladores.
Cria-se com eles um pano de fundo para que o já dito torne-se inédito, como nesta belíssima passagem de
“dois”:
“não à preguiça de pensar dicotomias
como se tudo fosse antônimo e simplista
(...) sim ao limite em que começa e não termina
a comunhão das coisas, gentes, como rimas
sim ao casal, se o amor dos pares chega ao ímpar
ao singular plural e ao filho que culmina
sim ao que é não, se a partir dele, a vida afirma-se
e em cada enjambement a morte em verso adia-se”.
Essa poética impactante, que se poderia classificar como “de peso”, quebra sucessivamente qualquer aparência de maniqueísmo ou de monotonia. Mas entre as investidas de envergadura teórica, presentifica a leveza de um amor adolescente (o que se soma à negação da vida em aritmético regresso) no texto “romântico”, termo de baixo calão para a poesia contemporânea:
“curta seu love, tire uma casquinha
amar é sair junto, ao cine e após
tomar um ice cream numa pracinha
e nele derreterse, ao sol, e a sós”.
Quarta-feira, 25 de Agosto de 2010
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
além da janela
que vigia minha
rua
sobre o traficante
que vende na mesma
rua
sobre o mendingo
ruminando uma miséria
que é tão sua
três estrelas brilham
esculpem silêncios
num céu que sussurra nos tímpanos da
eternidade
além da janela
de meu quarto
guardas noturnos
traficantes
e mendingos
amam e deixam de amar
vivem e morrem
odeiam e deixam de odiar
assim como o casal
que se beija ao meu lado
ou
como o garçon de olhar cansado
que me traz a cerveja
enquanto a vida
extirpa o coração
dos sonhos
nos altares da
realidade
e nos lábios da mocidade
no olhar dos velhos
que esperam
deuses natimortos
ofertam-nos preces
de morte reciclada
Fernando Freire
Gama, - DF -18.08.2010
Riverdies
21 de agosto – Garage – Praça da Bandeira - Rio
Fulinaimagem
Fulinaimagem
1
por enquanto
vou te amar assim em segredo
como se o sagrado fosse
o maior dos pecados originais
e a minha língua fosse
só furor dos canibais
e essa lua mansa fosse faca
a afiar os versos que inda não fiz
e as brigas dde amor que nunca quis
mesmo quando o projeto
aponta outra direção embaixo do nariz
e é mais concreto que a argamassa do abstrato
por enquanto
vou te amar assim adirando o teu retrato
pensando a minha idade
e o que trago da cidade
embaixo as solas dos sapatos
onde teus pés bailarina dançam cato os vestígios do tempo onde teus olhos bailarina olham um gato passeia no teu colo e na vidraça o giz derrama poesia escritas com punhos de ontem em tua cidade de serras onde teus braços bailarina sustentam tuas mãos que colhem uvas coloco águas de chuva para que teus vinhedos não cessem estejam sempre em meus caminhos e deles brotem da flor o fruto sagrado e os teus segredos guardados entre os teus lábios de vinho
2
o que trago embaixo as solas dos sapatos
é fato. bagana acesa sobra do cigarro
é sarro. dentro do carro
ainda ouço Jimmi Hendrix quando quero
dancei bolero sampleando rock and roll
pra colher lírios
há que se por o pé na lama
a seda pura foto-síntese do papel
tem flor de lótus
nos bordéis Copacabana
procuro um mix da guitarra de Santanna
com os espinhos da Rosa de Noel.
arturgomes
http://artur-gomes.blogspot.com/
É das uvas roxas que abocanho
em tua boca e em teu fruto exposto
que faço meu vinho, meu sangue,
que para ti como um rio corre,
minha paixão, muso do meu canto
vindo do fundo da terra,
basalto e magma, esperma
de fundas furnas e de grutas
e das fendas submersas
de onde atocaiado tu me espias,
para ti meu canto, um também roxo canto
uivando das entranhas, mãos, garganta
a me dizer: vida
a ser trazida
entre os dentes
atravessada
tal uma faca.
Olga Savary
entriDentes
olhei a cara do tempo
ela estava fechada
não me dizia nada
pensei as sagaraNAgens
que o tempo fazia comigo
peguei do tempo o umbigo
cortei na ponta da faca
e a tua cara de vaca
sangrei sem nenhum remorso
porque isso o tempo não tem
agora o tempo sorri
me mostra os dentes da boca
e a tua cara de louca
é a minha cara também
jura NÃO secreta
quero dizer que ainda arde
tua manhã em minha tarde
a tua noite no meu dia
tudo em nós que já foi feito
com prazer inda faria
quero dizer que ainda é cedo
ainda tenho um samba-enredo
tudo em nós é carnaval
é só vestir a fantasia
quero ser teu mestre/sala
e você porta/bandeira
quando chegar na quarta feira
a gente inventa outra fulia
unplugged
quero bota no seu Orkut
um negócio sem vergonha
um poema descarada
ta chegando fevereiro
e meu rio de janeiro
fica lindo e mascarado
quero botar no seu e-mail
um negócio por inteiro
que eu não sou zeca baleiro
pra ficar cantando a mama
que ainda tem medo do papa
meu negócio é só com a mina
que me trampa quando trapa
meu negócio é só a mina
que me canta ouvindo o rappa
arturgomes
http://artur-gomes.blogspot.com
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
vazio
(os pássaros estavam quietos).
Uma febre roía meus ouvidos:
voltei mais velha (exilada)
com um toque de infância entre meus dedos,
reserva de sal dentro dos olhos.
Olga Savary
a esperança me o-
briga a caminhar
em círculo em tor
-no do globo em tor-
no de mim mesmo em
torno de uma mesa
de jogo
até que o zodíaco
pára e a noite costura-
me a boca a
retrós preto/ mas
eu fico impresso
no olho do dia obsoleto
viagem em círculo
sem ida nem vinda
sem nenhuma avenida
adeus com a mão esquerda/ amanhã
recomeço
minha lida
entre um e outro
julho entre um e outro crepúsculo a
cidade que busco
como hei de encon-trá-la
ouço-lhe a
fala mas estou na
outra sala/ amanhã
sem endereço
recomeço
o meu começo
a esperança é um círculo
no zodía-co na ciranda na
roleta na rosa do
circo na roda do
moinho amanhã recomeço
meu caminho
E me pergunto:
em que lado do glo-
bo terá
cessado o
diálogo da ovelha
e do lobo ?
II
a esfera em torno
de si mesma
me ensina a espera
a espera me ensina
a esperança
a esperança me ensina
uma nova espera
a nova espera
me ensina de novo
a esperança na esfera
a esfera em torno
de si mesma me ensina
a espera a espera
me ensina a esperança
a esperança me ensina
uma nova espera
a nova espera me ensina
uma nova esperança
na esfera a esfera
em torno de si mesma
me ensina a espera
a espera me ensina
a esperança a esperança
me ensina uma nova
espera a nova espera
me ensina uma nova
esperança na esfera
Dedé Muylaert
Meu mestre, senhor da poesia, to louco pra montar alguma loucura contigo.
espero que vc esteja bem e produzindo bastante. Vê se vc gosta:
1
Enquanto escrevo
o poema me renega
digo o que não devo
escrevo o que não traço
e ocasionalmente faço
A Linha do provável
ultrapasso .
Frequentemente
Às vezes, lasso
não escrevo nem faço
nem passo nem fico
identifico
e aí sou eu mesmo
de braços abertos
preso num abraço
como um escuro do cinema
perante o meu dilema:
pau no poema ou é só cena
poeminha diadema?
Dedé Muylaert

