segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

linguagem



linguagem

em tudo que gravita
na palavra selva
ou tudo que levita
nessa lavra seiva
fulinaimânica quer dizer linguagem
selvageria nessa língua é pouca
se o maior desejo da boca é o beijo
por quê ainda não rasguei a tua roupa?

Artur Gomes 
www.pelegrafia.blogspot.com



Guaxindiba

essa palavra índia
fosse mulher fosse menina
curuminha amaralina
pétala de luz em meu olhar
yemanjá espuma areia
em tua pele de sereia
água de sal água do mar



Artur Gomes 


Amanda 

nome que me escorre pela língua
quando falo
encharca a boca de saliva
água viva que me lava fora d´água
poema suspenso por um fio
cachoeira jorra água pelo rio
oxum me beija em noite clara de luar

Artur Gomes 

www.pelegrafia.blogspot.com



fotos: Artur gomes Gumes

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

poétikas



não sei se clara
pode entender claramente
como amo
claro que nem tudo
ainda foi dito
escrito falado pensado
nem clara mesmo
imagina o quanto quero
e pode até se assustar
com tanta fala
mas clara ainda
não sabe que na sala
a vela acesa
em noite escura
ainda é clara


Artur Gomes 



formas de dizer que amo

são múltiplas


se ainda não disse
estou em busca
da melhor forma de dizer
que não assunta

amar-te não tem preço
te amar não custa

Artur Gomes 



Gargaú 

quem tem sangue na veia
nem guaiamum nem caranguejo
a salive do desejo
em tua língua meu amor

e que a lama desse mangue
possa parir alguma flor

Artur Gomes

www.artur-gomes.blogspot.com

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Alice Melo Monteiro Gomes

Alice


A música está no bico dos pássaros
na pétala da lamparina
no caracol dos teus cabelos
no  movimento dos músculos
e no m das mãos

nada mais sagrado
do que teus olhos acesos
pra me iluminar na escuridão

Artur Gomes
foto: Artur Gomes Gumes

 




Viajante Incógnito

Quando Deus
Criou o mundo
Não contou vantagem

Quando esculpiu
O homem
Não fez vernissagem

Quando ele pintou
As estrelas no breu
Não falou “isso é Meu”
Nem expôs em museu
Quando escreveu
Os mandamentos
Não autografou
Quando inventou a música
Não cantou
Só mais um aparte
Triste daquele que tem
Seu nome maior que sua arte

Faixa do CD O Som da Cabeça do elefante
Que não me canso de ouvir

poética plural


Poética Plural
SagaraNAgem Dois Ponto Quatro

quem quiser me usar me use
na escrita na gramática no poema
faço poesia como quem dá no cinema
substantivos foram criados
para ser usados
com ou sem os seus significados
códigos códices signos não tem dono
quando acordo já perdi o sono
e quem sabe inventar inventa
e aí é gol de placa gol de letra
não tenho treta em ser lamb(usado)
nem fico triste se aumentar a fama
de começar no papel e terminar na cama

Artur Gomes




Jura Secreta 127

naquele dia
em que não me deu tua carne
pra matar a minha fome

comi as pedras do caminho

e te xinguei daquele nome





Jura Secreta 128

Clara como a Ana que ainda não conheço
me ofereço da forma que ela então quiser
não sei ainda o que fazer 

com esta escrita
mas tudo que vem dela então bendita
me leva ao infinito como um grito
que em silêncio escrevo pro teu nome
e então me calo até o dia que vier

Artur Gomes 

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

XXIII Congresso Brasileiro de Poesia

XXIII Congresso Brasileiro de Poesia 
XX Mostra Internacional de Poesia Visual
III Mostra Cine Vídeo Poesia 
5 a 10 de outubro - 2015 - Bento Gonçalves-RS
Poeta Homenageado: Tanussi Cardoso 
Curadorias: Artur Gomes, Hugo Pontes, Jiddu Saldanha e Tchello Barros 
Coordenação Geral: Ademir Antônio Bacca 

Uma Cidade Em Transparência
Curta com fragmentos de momentos registrados
Durante o XXII Congresso Brasileiro de Poesia – Bento Gonçalves-RS – outubro 2014 – Fulinaíma Produções – roteiro & direção: Artur Gomes 
https://www.youtube.com/watch?v=dlE2B6f29XA&list=UU3d8xoVqrdTDFZ2dKIfRanQ




a musa e uma câmera fotográfica
curta com Isadora Zecchin, filmado
na Cachçaria - Bento Gonçalves-RS - outubro 2014 - durrante o XXII Congresso Brasileiro de Poesia - Fulinaíma Produções - direção: Artur Gomes

Jura secreta 14

eu te desejo flores lírios brancos 

margaridas girassóis rosas vermelhas 
e tudo quanto pétala 
asas estrelas borboletas 
alecrim bem-me-quer e alfazema
eu te desejo emblema 
deste poema desvairado 
com teu cheiro teu perfume 
teu sabor teu suor tua doçura
e na mais santa loucura 
declarar-te amor até os ossos
eu te desejo e posso : 
palavrArte até a morte 
enquanto a vida nos procura


sábado, 20 de dezembro de 2014

Uma Noite de Natal - SESC Campos


Uma Noite de Natal – 19 de dezembro - 2014
Espetáculo Teatral resultado da Oficina de Teatro realizada  pelo SESC Campos no período de agosto a dezembro de 2014 – fotos: Rachel Louback – Direção: Artur Gomes



link do álbum de fotos no face

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Poesia do Brasil - Vol. 19


Além das várias atrações do Sarau Baião de Dois, dia 13 de dezembro no SINASEFE, estaremos sorteando vários exemplares da Antologia Poesia do Brasil - Vol. 19 - Publicada pela Editora Grafite coordenação de Ademir Antonio Bacca lançada no XXII Congresso Brasileiro de Poesia em Bento Gonçalves-RS .

Sarau Baiuão de Dois
https://www.facebook.com/events/477866525649361/?fref=ts

Mostra Cine Vídeo Curtas
https://www.facebook.com/pages/Mostra-Cine-V%C3%ADdeo-Curtas/309148895931842?fref=ts
em parceria com a Macaé Cine
https://www.facebook.com/festivalmacaecine?fref=ts


Vida Toda Linguagem
para Mário Faustino

não sei dizer
o que quer dizer esta metáfora
elétrica lâmpada musa
anima minhas tardes de chuva
senhora das nuvens de chumbo
na lírica do desassossego
eu tenho seis espadas e pedras
girassóis que roubei dos teus cabelos
o beijo que nunca mais foi dado
nos Retalhos Imortais do Serafim
linguagem um Lance de Dardos
e Mallarmé Nada Sabia de Mim

Artur Gomes 
Poesia do Brasil – Vol. 19
Ed. Grafite – Bento Gonçalves-RS
XXII Congresso Brasileiro de Poesia – outubro -2014

su realismo



em carne viva em carne crua

a noite assombra
nos lençóis da nossa cama
depois de lamber teu sexo
em carne viva carne crua

meu olho cravado em tua lua
toda branca
toda nua

a bunda virada pro mar
a frente janela pra rua

não sei quantas palavras
ainda terei que inventar
pra significar a coisa
que ainda não tem nome
a coisa cínica
a cóisa sântrica
como linha do novelo
essa onda me pega Atlântica
da sola dos pés até a ponta
do último fio de cabelo





su/realismo


no Pontal do Atalaia
penso o mar
que ainda tenho
tuas coxas brancas
peixe espada em teu aquário
espuma e sal
beijando areia

su/realismo
é minha língua em teu ouvido
lamber teu corpo despido
neste mar que me incendeia


Artur Gomes


sexta-feira, 21 de novembro de 2014

poétttikas



Poéttika 127
quando xangô e yansã se deitam

a guerreira das trevas
me atravessa com seu dardo de luz
a dor na carne dos teus olhos azuis
me desconcerta
mas não me desassossega

estamos em frente da vitrine
ela me chegou como carta do destino
acaso – ou ímã nos extremos
de uma equação que nunca se completa

lhe ofereço um short
ela não experimenta imediatamente
enquanto bebo uma cerveja
desconversa sobre a fuga
do lugar de onde esteve
tem as unhas apontadas pros meus olhos
como rajadas de ventos – temporal
fluidificando a sensação
que ainda não sei de onde veio


Artur Gomes
www.tvfulinaima.blogspot.com 







Poéttika
1996 - 2002

depois de seis anos
rasgamos o tratado de outubro
no hotel às tantas

da cidade alta
atravessei a travessia
atravessando bento

a tradição italiana
não conseguiu impedir
que eu destrancasse a  porta

quantas cartas
me queimaram os dedos
com o fogo das palavras

na cama
ela  me esperava nua
para nos comermos
pela primeira vez


 entre tuas pernas
grafitei meu corpo
no poema/gravidez

Artur Gomes




Poéttttica 25

do alto olho a cidade
lá em baixo deserta

na certa as pessoas
estão em suas casas
fechadas – trancadas

até os dentes
tamanha a solidão


Artur Gomes