quinta-feira, 26 de setembro de 2013

XXI Congresso Brasileiro de Poesia - Programação


XXI CONGRESSO BRASILEIRO DE POESIA
XXI ENCONTRO LATINO-AMERICANO DE CASAS DE POETAS
XVIII MOSTRA INTERNACIONAL DE POESIA VISUAL
“Marina Colasanti: Quando eu quero ver melhor o mundo, eu o olho através das palavras.”
Bento Gonçalves – RS – 30 de setembro  a 5 de outubrode 2013



PROGRAMAÇÃO OFICIAL

30 de setembro (segunda-feira)


Manhã

09:00h
— Recepção e credenciamento de poetas e convidados do XXI Congresso Brasileiro de Poesia e demais eventos
Local: Hotel Vinocap

Tarde
17:00h
— Abertura oficial dos eventos:

XXI Congresso Brasileiro de Poesia
XXI Encontro Latino-Americano de Casas de Poetas
XVIII Mostra Internacional de Poesia Visual
Intervenção Poética: Sady Bianchin, Marcela Gianini, Jairo Klein e Marco Bahrone
Intervenção Musical: Luis Ramos
Local: Salão Nobre da Prefeitura Municipal

19:30h
— Recital “Ela”, com Jairo Klein

19:50h
Palestra: Marina Colasanti
Mediador: Toninho Vaz

20:40h
— Recital “Vozes Transgressoras”, com Sady Bianchin e Marcela Gianini

21:00h
Recital-show musical: “Solar da Fossa”, com Toninho Vaz, Gutemberg Guarabyra e Fábio Santini


01 de outubro (terça-feira)


08:00h
— Projeto Poetas na Escola
Participantes: Escolas do Município

08:30h
— Encontro dos escritores Marina Colasanti e Affonso Romano de Sant’Anna com Professores da Rede Municipal de Ensino
Local: SMED
— Projeto “Uma Idéia Tece a Outra”, com Geraldo Coelho Vaz
Local: Biblioteca Pública Castro Alves


13:00h
— Roda de Poesia
Local: Chafariz da Via Del Vino

13:30h
— Projeto Poesia e Recreação em Escolas e Creches
Participantes: Escolas do Município

16:00h
— “Poesia numa hora dessas?”
Local: Secretaria Municipal de Finanças

19:00h
— Abertura da XVIII Mostra Internacional de Poesia Visual e da Mostra “Visagens”
Local: Fundação Casa das Artes
Curadores: Artur Gomes e Tchello d’Barros

19:30h
— Projeto Poetas na Escola
Local: Escolas do Município
— Recital Poético com Alice Souto e Caró Lago
Local: Auditório Instituto Federal
— Exibição do curta-metragem “Espécie Humana Headlines”, de Giancarla Brunetto
— Encontro dos Escritores Affonso Romano de Sant’Anna e Marina Colasanti com professores e diretores da Rede Escolar Municipal e convidados
Local: Auditório do SESC

19,50h
— Debate com a diretora Giancarla Brunetto
Mediador: Jiddu Saldanha
Local: Sala de Cinema da Casa das Artes

20:10h
— Palestra: “Letra / Imagem: A trajetória poética de Edgard Braga”, com Beatriz Helena Ramos Amaral
Mediadores: Artur Gomes e E.M. de Melo e Castro
Local: Sala de Cinema da Casa das Artes

— Palestra: "O Solar da Fossa"
Palestrante: Toninho Vaz
Local: Auditório Instituto Federal

20:50h
— Intervenção Poética com Edmilson Santini e Márcia Mendes
Local: Auditório do Instituto Federal

21:00h
— Intervenção Poética com Jorge Ventura, Angela Carrocino e Eugênia Loretti
Local: Sala de Cinema da Casa das Artes

21:10h
— Intervenção Musical com Pedro Marodin
Local: Auditório do Instituto Federal

— Intervenção poético-musical com Anand Rao
Local: Sala de Cinema da Casa das Artes

22:30h
— Sarau em Homenagem a Maria Clara Segóbia
Coordenação: Iára Pacini e Ana Luiza
Local: Restaurante Cachaçaria

02 de outubro (quarta-feira)


Manhã
08:00h
— Projeto Poetas na Escola
Participantes: Escolas do Município

09:00h
— Projeto “Uma Idéia Tece a Outra”, com Toninho Vaz e Guarabyra
Local: Biblioteca Pública Castro Alves
— Palestra de Marina Colasanti
Local: Escola Dona Isabel

Tarde
13:00h
— Roda de Poesia
Local: Chafariz da Via Del Vino

13:30h
— Projeto Poesia e Recreação em Escolas e Creches
Participantes: Escolas do Município

16:00h
— “Poesia numa hora dessas?” com Sady Bianchin e Marcela Gianini
Local: 16ª CRE

17:00h
— Sessão de Autógrafos de Affonso Romano Sant’Anna e Marina Colasanti
Local: Livraria Aquarela

18:30h
— Atividades Literárias no NEJA/Presídio Municipal

Noite
19:30h
— Projeto Poetas na Escola
Participantes: Escolas do Município

— Recital “Poesia in concert” com Artur Gomes e convidados

20:00h
— Palestra “Cora Coralina”, com Geraldo Coelho Vaz

20:40h
— Recital “A voz dos povos”, coordenado por Cláudia Gonçalves

21;20h
— Acústico com Diogo Farina e Camila Farina
Local: Sala de Cinema da Casa das Artes

22:30h

— Recital “Antológicos”
Coordenação: Cláudia Gonçalves e Jiddu Saldanha
— Lançamento das antologias “Poesia do Brasil” (volumes 17 e 18) e “Poeta, Mostra a tua cara” (volume 10)
— Show “Solar da Fossa”, com Toninho Vaz, Gutemberg Guarabyra e Fabio Santini

03 de outubro (quinta-feira)


Manhã
08:00h
— Projeto Poetas na Escola
Participantes: Escolas do Município
— Recital “Dentro da lua”, com Renato Gusmão e Monica Lima
Local: Escola Santa Helena
— Recital “Vozes Transgressoras”, com Sady Bianchin e Marcela Gianini
Local: Escola Noely C. De Rossi
— Projeto Poesia e Recreação em Escolas e Creches

09:00h
— Projeto “Uma Idéia Tece a Outra”, com Airton Ortiz
Local: Biblioteca Pública Castro Alves

11:00h
— Lançamento do livro “Gringo”, de Airton Ortiz
Local: Livraria do Maneco

Tarde
13:00h
— Roda de Poesia
Local: Chafariz da Via Del Vino
13:30h
— Projeto Poesia e Recreação em Escolas e Creches
Participantes: Escolas do Município

16:00h
— “Poesia numa hora dessas?”, com Jorge Ventura, Tchello d’Barros e Alice Souto
Local: Câmara de Vereadores

17:00h
— Sessão de Autógrafos e Recital “Solar da Fossa”, com Toninho Vaz, Gutemberg Guarabyra e Fábio Santini
Local: Livraria Aquarela

Noite

19:30h
— Projeto Poetas na Escola
Participantes: Escolas do Município

— Monólogo “O encontro de Machado de Assis com Guimarães Rosa”, com Edmilson Santini
19;50:00h
— Palestra de Airton Ortiz
20:30h
— Intervenção Poética com Dalmo Saraiva, Piri e Marcos Bahrone
20;50h
— “Cidade do Haicai”, com Jiddu Saldanha e convidados
21:20h
— Acústico com Rodolfo Costa
Local: Sala de Cinema da Casa das Artes

22:30h

Sarau
Local: Restaurante Cachaçaria

04 de outubro (sexta-feira)


08:00h
— Projeto Poetas na Escola
Participantes: Escolas do Município
— Projeto Poesia e Recreação em Escolas e Creches com os palhaços Picolé e Espelinho
Local: Escolas do Município
— “Poesia numa hora dessas?”, com Sady Bianchin e Marcela Gianini
Local: SMED
— “Chocolate com Poesia na Biblioteca”
Local: Escola Gen Bento Gonçalves da Silva

09:00
— Projeto “Uma Idéia Tece a Outra”, com E. M. de Melo e Castro
Local: Biblioteca Pública Castro Alves

10:00h
— Recital “Poesia para pessoas muito especiais”
Local: APAE

Tarde
13:00h
— Roda de Poesia
Local: Chafariz da Via Del Vino
13:30h
— Projeto Poesia e Recreação em Escolas e Creches
Participantes: Escolas do Município

Noite
19:30h
— Recital “Dentro da lua”, com Renato Gusmão e Monica Lima
20:00
— Palestra: "A poesia experimental portuguesa", com E. M. de Melo e Castro
20:50h
— “O Ano de Portugal no Brasil” – Palestra e poemas de poemas de autores portugueses
com Antònio Soares, Santa Inéze e Eloisa Poraza
Participação musical: Luis Ramos

21:30h
— Acústico com Wladi Costa e Leo Pértile
Local: Sala de Cinema da Casa das Artes

22:30h
— Sarau de Encerramento
Local: Restaurante Cachaçaria

 

05 de outubro (sábado)



09:00h
— Plantio Pitangueira Poética e Árvore dos Povos
— Encerramento dos eventos
Local: Praça Centenário

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

4º Circuito Cultural de Arte Entre Povos


4º Circuito de Arte Entre Povos

Depois de iniciarmos nossa jornada no dia 8 de agosto de 2013 em Bom Jesus do Itabapoana, e passarmos pelas cidades de Apiacá-ES, Itaperuna-RJ, Laje do Muriaé-RJ, Cachoeiro do Itapemirim-ES com a caravana do 4º Circuito Cultural de Arte Entre Povos, levando na bagagem além de shows com música, poesia, teatro e mostras de cinema, e contação de histórias, além de Oficinas com multi-linguagens, a partir do dia 1 de setembro estaremos circulando pelas cidades mineiras de Pedra Dourada, Itaguara Manhuassu e Mutum.

A caravana do 4º Circuito Cultural de Arte Entre Povos, tem em seu elenco o cineasta argentino Carlos Pronzato, o músico e trovador chileno Pablo Trova, a escritora capixaba Maria Elvira Taveres Costa, o artista plástico cubano Francisco Rivero, o poeta, ator e vídeo maker brasileiro Artur Gomes, o produtor de curtas metragens em novas mídias Tom Lourenço e o fotógrafo brasileiro Cimar Pinheiro.

Atualmente nos encontramos no Vale do Caparaó, em Guaçuí-ES, onde amanhã visitaremos o Patrimônio da Penha, onde vive uma comunidade ligada ao Santo Daime, e no sábado visitaremos o Parque Nacional de Caparaó, onde as serras capixabas beijam o colo das Minas, e por fim dia 1 de setembro rumamos para Pedra Dourada-MG.

O Circuito Cultural de Arte Entre Povos, tem como mentor e coordenador o Dr. Gino Bastos, além de contar também em sua caravana com Rosane Brandão (nossa incentivadora), João Bosco Figueiredo Côgo, Rita de Cássia Côgo, Elizete Maria da Silva, Adriana Peixoto Gonçalves, Maria Auxiliadora, Lucilia Stanzani e Gelson e Irênio, companheiros da Editora Incerta, que tem nos acompanhado em nossa feliz jornada.

Esfinge

poema de Artur Gomes musicado por Rodrigo Bittencourt e grvado por Daniela Rauen, no CD Qualquer Lá, lançado com show no Teatro Renascença em Porto Alegre - 2011

o amor 
não e apenas um nome 
que anda por sobre a pele 

um dia falo letra por letra 
no outro calo fome por fome 
é que a flor da minha pele
consome a pele do meu nome

cravado espinho na chaga 
como marca cicatriz 
eu sou ator ela esfinge 
ana alice/beatriz 

assim vivemos cantando 
fingindo que somos decentes 
para esconder o sagrado 
em nosso profanos segredos 

se um dia falta coragem 
a noite sobra do medo 

na sombra da tatuagem 
sinal enfim permanente 
ficou pregando uma peça 
em nosso passado presente 

o nome tem seus mistérios 
que se escondem sob panos 

o sol e claro quando não chove 
o sal e bom quando de leve 
para adoçar desenganos 
na língua na boca na neve 

o mar que vai e vem 
não tem volta 

o amor é a coisa mais torta 
que mora lá dentro de mim 
teu céu da boca e a porta 
onde o poema não tem fim 

artur gomes 
Fulinaíma Produções 

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

fulinaíma cine vídeo poesia


black billy

ela tinha um jeito gal
fatal – vapor barato
toda vez que me trepava as unhas
como gato
cantar era seu dom
chegava a dominar a voz
feito cigarra – cigana ébria
vomitando doses do seu canto

uma vó vez subiu ao palco
estrela no hotel das prateleiras
companheira de ratos
na pele de insetos
praticando a luz incerta
no auge do apogeu

a morte não é muito mais
que um plug elétrico
um grito de guitarra uma centelha
logo assim que ela começa
algo se espelha
na carne inicial de quem morreu




artur gomes gumes
In CarNAvalha Gumes – collagens 

– PORTIFÓLIO – 1995

Gravada no CD fulinaíma sax blues poesia - 2002


La Vie En Bleu
http://www.youtube.com/watch?v=O7i9KfQnCk0&feature=c4-overview&list=UU3d8xoVqrdTDFZ2dKIfRanQ
www.carnavalhagumes.blogspot.com






Goitacá Boy



ando por são paulo meio araraquara

a pele índia do meu corpo
em sua carne clara

juntei meu goitacá seu guarani
tupy or not tupy
não foi a língua que ouvi
na sua boca caiçara

para falar para lamber para lembrar
de sua língua
arco íris litoral como colar de uiara
é que eu choro como a chuva curuminha
mineral da mais profunda lágrima
que mãe chorara

para roçar para cumer para tocar
na sua pele urucum de carne osso
minha língua tara
sonha lamber do seu almoço
e ainda como um doido curuminha
a lamber o chão da Guanabara




Artur Gomes/ Naiman
http://www.youtube.com/watch?v=6jyd3OkwMUI






SampleAndo 


o poema pode ser um beijo em tua boca
carne de maçã em maio
um tiro oculto sob o céu aberto
estrelas de neon em vênus
refletindo pregos no meu peito em cruz

na paulista consolação na água branca barra funda
metal de prata desta lua que me inunda
num beijo sujo como a estação da luz

nos vídeosfilmes de TV
eu quero um clipe
nos teus seios quentes
uma cilada em tuas coxas japa
como uma flecha em tuas costas índia
ninja, gueixa eu quero a rota teu país ou mapa

teu território devastar inteiro
como uma vela ao mar de fevereiro
molhar teu cio e me esquecer na lapa



Artur Gomes - SampleAndo

terça-feira, 30 de julho de 2013

oficina de poesia falada



Oficina de Poesia Falada

Exercícios:

1. Mergulhar no texto até que seja possível compreender todo o seu universo dramático. Perceber as nuances de cada verso ou de cada palavra, para a partir daí ter condições de criar uma forma adequada de interpretação através da fala.

2. Respiração:
Respirar calmamente para relaxar antes de cada leitura até sentir o corpo leve, e através da leitura silenciosa, observar espaços rítmicos do texto para melhor executar a respiração dentro desses espaços que devem ser explorados intensamente.

3. Memorização:
Executar a leitura silenciosa até ter certeza que o texto está completamente compreendido em todos os seus códigos e significados. A partir daí, começar a executar uma leitura em voz alta, frente ao espelho de preferência, procurando verificar se verso por verso já está grudado na ponta da língua e na pele da memória.


OBS.: Essa Oficina de Poesia Falada pode ser oferecida a adomicílio, a acompanhada de uma Oficina de Produção de Vídeo, com tem sido realizada em São Conrado e Copacabana, no Rio de Janeiro, com aulas de duração mínima de 2 horas. Custo a combinar.


As musas de Ignacio

a mesma língua fala
quando deitamos palavras duras
a vida crua sobre o corpo do texto
e do teu poema
partilhamos a busca do mesmo céu
de língua e dentes em viva dança
não mais de veia bailarina
querendo escrever tanto ao mesmo tempo
sobrepomos ao risco da morte nossos textos
pactos de carícias entre fonemas
sons dançantes que saem além da boca
sedução de risos no imaginário
do menininho que admirava a brancura
da pele da primeira musa
e matava os anões com as palavras
creme de champion envenenados
colhidas nas florestas de outro tempo
risos emoldurados em boca e janelas
lá pelas terras de Araraquara
12 anos antes do nascimento
da estrela mágica
do beijo que não vem da boca
lá onde eu poderia ter escrito
o meu primeiro poema
cantando língua e beijo
ao vento dos ventiladores

Cristiane Grando




Poética 72

a relva ainda molhada
a neve renova a pele
fosse Londres logo ali a dentro
LUAna me morderia a língua
até sangrar de susto
lamberia o sal da carne até
cessar a fome
foi ali que Ana se desfez da vida
para sempre
e
da janela voou para o infinito
ainda tenho seus pés aqui
cravados nos dentes da memória
era setembro de 83 e o Vapor Barato
rodava no vinil da loja aqui do centro
com um buraco negro no peito
que chegava a osso





Poética 73

assim como se tanto
te queresse e não pudesse
essa tensão levar-te a cama
a dama se desfaz
mesmo não sendo
um blues rasgado
ou rock and roll
na língua solta
pela pele em tuas costas
lambendo as curvas
por detrás da tua orelha
vermelha a blusa agora despe
baton saliva tudo como em tua boca
pode ser som de bolero
quando um beijo quero quero
a vida é muito curta pra ser pouca

arturgomes



Fulinaíma Produções
Contatos: portalfulinaima@gmail.com
(21)6964-4999 (22)9815-1266

quarta-feira, 24 de julho de 2013

4º Circuito de Arte Entre Povos




Finalmente Jiddu Libera:

POESIA PROIBIDA, o filme sobre Artur Gomes, que ninguém ainda viu, integralmente na rede, contando todos os podres do POETA!


Carne Proibida

o preço atual
proíbes que me coma
mas pra ti estou de graça
pra ti não tenho preço
sou eu quem me ofereço
a ti: músculo e osso
leva-me à boca
e completa o teu almoço

Artur Gomes

fulinaíma produções
entre curta compartilhe





DEFINITIVO

estou sempre
definitivo até o próximo instante
e me consolido
ao ser o que não sou

a arte
é toda feita de contrastes
também
- a ourivaria do efêmero – 

o sol é o mesmo
o amanhecer não

há algo que se rompe
e algo que se estanca
há revolução e calmaria
em cada olhar
que cruzo comigo

não há muito o que fazer
só resta acreditar
no que é seu
e duvidar do mundo
Pedro Tostes 
In Descaminhar – SP – 2008

http://www.youtube.com/watch?v=fQfcOcABqpU&feature=youtu.be

quarta-feira, 10 de julho de 2013

fulinaíma blues poesia

janela indiscreta

fulinaíma blues poesia
um bom time da boa poesia brasileira 
contemporânea começa a ser escalado aqui
https://www.facebook.com/FulinaimaProducoes?fref=ts

 
               may pasquetti - musadaminhacannon

meta metáfora no poema meta

como alcançá-la plena
no impulso onde universo pulsa
no poema onde estico plumo
onde o nervo da palavra cresce
onde a linha que separa a pele
é o tecido que o teu corpo veste
como alcançá-la pluma
nessa teia que aranha tece
entre um beijo outro no mamilo
onde aquilo que a pele em plumo
rompe a linha do sentido e cresce
onde o nervo da palavra sobe
o tecido do teu corpo desce
onde a teia que o alcançar descobre
no sentido que o poema é prece

uma viagem ao pontal atafona




pele grafia 

meus lábios em teus ouvidos
flechas netuno cupido
a faca na língua a língua na faca
a febre em patas de vaca
as unhas sujas de Lorca
cebola pré sal com pimenta
tempero sabre de fogo
na tua língua com coentro
qualquer paixão re/invento

o corpo/mar quando agita
na preamar arrebenta
espuma esperma semeia
sementes letra por letra
na bruma branca da areia
sem pensar qualquer sentido
grafito em teu corpo despido
poemas na lua cheia


pontal foto grafia



EntreDentes

queimando em mar de fogo me registro
lá no fundo do teu íntimo
bem no centro do meu nervo brota
uma onda de sal e líquido
procurando a porta do teu cais

teu nome já estava cravado nos meus dentes
desde quando Sísifo olhava no espelho

primeiro como mar de fogo
registro vivo das primeiras Eras
segundo como Flor de Lotus
cravado na pele da flor primavera

logo depois gravidez e parto
permitindo o Logus quando 0 amor quisera


Artur Gomes

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Artur Gomes - Juras Secretas



JURAS SECRETAS feitiçarias de Artur Gomes - Michèle Sato 

Difícil iniciar um prefácio para abordar feitiçarias de um grande mestre. A mágica aparição do texto transborda sentidos cósmicos, como se um feixe de luz penetrasse em um túnel escuro dando-lhe o sorver da vida. Diariamente, recebo um deserto imenso de poemas e a leitura se esvai com “batatinha quando nasce põe a mão no coração”. Um ou outro me chama a atenção, desde que sou do chamado “mundo das ciências” e leio poemas com coração, mas inevitavelmente aguçado pelo olhar crítico vindo do cérebro. 

A academia pode ser engessada, mas é, sobremaneira, exigente. Aplaude o inédito, reconhecendo que o poema é um caos antes de ser exteriorizado, mas harmônico, quando enfeitiçado. A leitura requer algo como canto do vento, que não seja fugaz, mas que acaricie no assopro da Terra. Por isso, é com satisfação que inicio este pequeno texto, sem nenhuma pretensão de esgotar o talento do grande mestre, mas responder aos poemas de Artur que brilham, soltam faíscas, incendeiam-se em erotismo e garras enigmáticas. Ele transcende regras, inventa palavras, enlouquece verbos. E as relações estabelecidas revelam a desordem dos sonhos na concretude harmônica de suas palavras. 

A aventura erótica não se despede de seu olhar político. Situado fenomenologicamente no mundo, e transverso nele, Artur profana o sagrado com suas invenções transgressoras. Reinventa a magia e decreta uma nova vida para que o mundo não seja habitado somente pelos imbecis. Dança no universo, com a palavra fluída, imprevistos pitorescos, mordidas e grunhidos. Reaparece no meio de um cacto espinhoso, mas é absurdamente capaz de ofertar a beleza da flor. Contemporâneo e primitivo se aliam, vencem os abismos como se ao comerem as palavras monótonas, pudessem renascer por meio da antropofagia infinita de barulhos e silêncios. O sangue coagulado jorra, as cavernas se dissolvem e é provável que poucos compreendam a beleza que daí se origina. 

Nos labirintos de suas palavras, resplandece o guerreiro devorador, embriagado, quase descendo ao seu próprio inferno. Emana seu fogo, na ardência de sexo e simultaneamente na carícia do amor. Pedras frias se aquecem, coram com o tom devasso que colore a mais bela das pornofonias. Marquês de Sade sente inveja por não ser o único déspota das palavras sensuais. E os poemas de Artur reflorescem, exalam odor como desejos secretos e risos que ecoam no infinito. 

não fosse essa alga queimando em tua coxa ou se fosse e já soubesse mar o nome do teu macho o amor em ti consumiria (jura secreta 5) 

De repente um cavalo selvagem cavalga na relva úmida, como se o orvalho da manhã pudesse revelar o fogo roubado das pinturas rupestres. Ao som de tambores, suas palavras se tornam arte em si, como se fossem desenhos projetados em um fantástico mundo vertiginoso. Seres encantados surgem das águas originários de sentimento, abraçadas nas pedras lisas, rugosas, esverdeadas da terra. O fogo dança em vulcões e a metamorfose é percebida em seus ares. Os elementos se definem como bestas, humanos, ou segmentos da natureza como uma orquestra sinfônica que vai além da sonoridade. Adentram sentidos polissêmicos e, neste momento, até o André Breton percebe o significado das palavras de Artur, pois a beleza é convulsiva e crava no peito feito cicatriz. 

e o que não soubesse do que foi escrito está cravado em nós como cicatriz no corte (jura secreta 10) 

Da violação do limite, do fruto proibido ou da linguagem erótica, os poemas de Artur são orgasmos literários que oscilam entre o sacro e o profano. Sua cultura, visão de mundo e inteligência possibilitam ir além da pura emoção sentimental, evocando a liberdade para que a terra asfixiada grite pela esperança. Artur comunga com outros seres a solidariedade da Terra, ainda que por vezes, seja devastador em denunciar disparidades, mas é habilidoso em anunciar acalentos. A palavra poética desfruta fronteiras, e Roland Barthes diria que a história de Artur é o seu tributo apaixonado que ele presta ao mundo para com ele se conciliar. Em sua linguagem explosiva, provavelmente está a intensidade de sua paixão - um amor perverso o suficiente para viciar em suas palavras, mas delicado o bastante para dar gênese ao mundo enfeitiçado pela habilidade de sua linguagem. 

A essência deste perfume parece estar refletida num espelho, pois se as linguagens podem incluir também o silêncio, as palavras de Artur soam como uma melodia. Projetada numa tela, a pintura erótica torna-se sublime e para além de escrevê-las, ele vive suas linguagens. Esta talvez seja a diferença de Artur com tantos outros poetas: a sua capacidade de transcender a tradição medíocre para viver um intenso de mistério de sua poética. Ele não duvida de suas palavras, nem as censura para não quebrar seu encanto, mas devora em seu ser na imaginação e no poder de sua criação. Criador e criatura se misturam, zombam da vida, gargalham da obviedade. Põem-se em movimento na dança estrelas que iluminam a palavra. 

Os fragmentos poéticos são misteriosos de propósito, uma cortina mal fechada assinala que o palco pode ser visto, porém não em sua totalidade. Disso resulta a sedução para que ele continue escrevendo, numa manifestação enigmática do poder surrealista em nos alertar sobre nossas incompletudes fenomenológicas. O imperfeito é o sentido da fascinação, diria Barthes em seus fragmentos de um discurso amoroso. E a poética de Artur não representa ressurreição, nem logro, senão nossos desejos. O prazer do texto pode revelar o prazer do autor, mas não necessariamente do leitor. Mas Artur lança-se nesta dialética do desejo, permitindo um jogo sensual que o espaço seja dado e que a oportunidade do prazer seja saciada como se fosse um "kama sutra poético" para além do prazer corporal. Esta duplicidade semiológica pode ser compreendida como subversiva da gramática engessada - o que, em realidade, torna seus textos mais brilhantes. Não pela destruição da erudição, mas pela abertura da fenda, para que a fruição da linguagem seja bandeira cultural da liberdade. 

E a sua liberdade projeta-se num horizonte onde a dimensão sócio-ambiental é freqüentemente presente. É uma poesia universal de representações urbanas e rurais, de flora, fauna e fontes de praças públicas. Desacralizando o “normal previsível”, borda em sua costura de mosaicos, esquinas e passaredos. 

eu sei de gente e de bichos ambos atolados no lixo tem gente que come bicho tem bicho que come gente tem gente que vive no lixo tem lixo que mora no bicho gente que sabe que é bicho e bicho que pensa ser gente(jura secreta 28) 

A poética das Juras Secretas opõem-se a instância pretérita numa espiral de presente com futuro. Metafisicamente, desliga-se do momento agonizante e os olhos do poeta não se cansam, ainda que a paisagem queira cansá-los. Seu toque lembra o neoconcretismo, por vezes, cuja aparição na semana da arte moderna mexeu com os mais tradicionais versos da literatura ordinária. Mas sua temporalidade vence Chronos, na denúncia de um calendário tirano ao anúncio de Kairós, também senhor do tempo, mas que media pelos ritmos do coração. 

20 horas 20 noites 20 anos 20 dias até quando esperaria... até quando alguém percebesse que mesmo matando o amor o amor não morreria. (jura secreta 98) 

É óbvio que a materialidade da linguagem, sua prosódia e seu léxico se mantêm no texto. Mas foge das estruturas engessadas do arrombo repetitivo, florescendo em neologismos verossímeis e ritmos cardíacos. Amiúde, são palavras jorradas em potente cultura significante. No chão dialogante, este poeta desestabiliza a normalidade com suas criações. 

por que te amo e amor não tem pele nome ou sobrenome não adianta chamar que ele não vem quando se quer porque tem seus próprios códigos e segredos mas não tenha medo pode sangrar pode doer e ferir fundo mas é razão de estar no mundo nem que seja por segundo por um beijo mesmo breve por que te amo no sol no sal no mar na neve.(jura secreta 34) 



ARTUR GOMES é, para mim, um grande relato de seu próprio devir, que sabe poetizar a partir de seu vivido. E por isso, enfeitiça. 

www.juras-secretas.blogspot.com